Visitas virtuais:


Visita virtual aos pontos turísticos 
Depois de tours pelos principais museus, o Google lançou o World Wonders (google.com/culturalinstitute/worldwonders), que permite um passeio (virtual, é claro) por 132 lugares turísticos do planeta. Há como percorrer as ruínas da italiana Pompeia, o misterioso Stonehenge, na Inglaterra, e algumas ruas históricas da mineira Ouro Preto. Tudo isso graças ao grande número de vídeos e imagens – muitas giram 360 graus – que vêm acompanhadas de textos informativos da Unesco.

English: The church of São Francisco de Assis,...

English: The church of São Francisco de Assis, Ouro Preto, Brazil. Français : L’église Saint François d’Assises (São Francisco de Assis), à Ouro Preto,, au Brésil. (Photo credit: Wikipedia)

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Disponível em  português, o  www.vatican.va não é bem um site de orientação turística, mas reúne informações históricas e culturais sobre o local. Acesse também o calendário de celebrações de 2010, os sites da Biblioteca Apostólica e dos Museus Oficiais do Vaticano.

O www.museivaticani.va indica onde estão as principais atrações, como a Pietà, de Michelangelo, e as obras de Botticelli. Confira o tour em 360 graus da Capela Sistina. E anote: é possível visitar as galerias à noite nas sextas-feiras, até outubro.

Um dos pontos turísticos mais visitados do mundo, a Basílica de São Pedro impressiona com seu tamanho e as 284 colunas que parecem abraçá-la. Leia sobre sua origem e veja fotos no www.italiantourism.com/vatican.html.

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Português: Pico do Jaraguá

Português: Pico do Jaraguá (Photo credit: Wikipedia)

Com um clique, conheça São Paulo em 360 graus

São Paulo Turismo fechou parceria com o site sp360 e agora exibe, em sua página na internet, imagens em movimento de pontos turísticos da cidade.

Conhecer os pontos turísticos da cidade sem sair da cadeira. Como isso é possível? Com uma visita à pagina na internet da São Paulo Turismo .

Em 2006, uma nova seção foi criada: a possibilidade de ver alguns cartões-postais, e outros nem tanto, em imagens de 360 graus.

O material é proveniente de uma parceria com o site sp360, que concede uma parte de seu acervo de fotos panorâmicas e imagens em 360 graus à Prefeitura.

Assim, se você tem vontade de conhecer a vista do Mirante do Banespa e nunca teve a oportunidade, é só apelar para o computador. Basta entrar no site da SPTuris e escolher, entre as 19 opções possíveis, a que mostra o mirante.

Com um clique, sem mexer mais o corpo, a imagem do alto do prédio do Banespa vai girando lentamente até fechar uma volta completa. Se ficar com vontade de programar já para o próximo final de semana uma visita ao local, saiba que não será o primeiro.

Mesmo sem ter sido lançado oficialmente, o site sp360 já pôde sentir a repercussão de seu trabalho. “Recebi muitos e-mails de pessoas dizendo que não conheciam alguns pontos, gostaram e estavam indo lá”, diz Eduardo Amara que, em parceria com Zuza Melkan, criou o sp360.

Até sua sogra, que viveu durante 40 anos na Capital e há 5 mora no Interior, descobriu a beleza da vista do Pico do Jaraguá através dos cliques no computador. Na sua primeira visita à filha, programou a ida física ao Pico.

O passeio virtual, segundo Amaral, não vem para acabar com o passeio ao vivo e a cores. Pelo contrário, ele acha que essa é uma forma de fomentar a visitação.

E foi por este motivo, explica, que a SPTuris ficou interessada em receber parte de seu material.

Por enquanto, o site da SPTuris apresenta voltas completas nas paisagens de 12 pontos: Pinacoteca, Memorial da América Latina, Vale do Anhangabaú, Parque da Luz, Museu de Arte Contemporânea, Igreja do Carmo, Mirante do Banespa, Pico do Jaraguá, Parque Ibirapuera, Vila Maria Zélia, Vilarejo São Paulo e da exposição Dinos na Oca.

Em breve, explica Amaral, estarão disponíveis também os passeios virtuais pelo Sambódromo, Museu Paulista, Teatro Municipal, Museu de Zoologia, Parque do Jaraguá, Memorial do Imigrante, Parque da Aclimação, Parque Fernando Costa, Praça Vinícius de Moraes e Parque do Piqueri.

No site do sp360 também há 12 passeios, porém com muito mais pontos de giro e fotos panorâmicas que no da Prefeitura – são ao todo 400 imagens. Apenas da Pinacoteca há 60 fotos, enquanto a página da SPTuris mostra três. “Só para visitar tudo o que está no site, o internauta gasta quatro horas e meia”, diz Amaral.

A idéia é adicionar cada vez mais locais a serem visitados, até chegar aos 432 passeios catalogados. Em abril, quando o site for oficialmente lançado, já serão 30 passeios e seis horas e meia de navegação em suas seções.

“Trabalhamos com comunicação e ´vender´ São Paulo é muito difícil. Por isso decidimos criar um site que não falasse da Cidade, mas mostrasse”, explica Amaral.

E, apesar de ter sido criado para vencer esse tipo de dificuldade e atrair visitantes à Cidade, Amaral e Melkan acabaram lançando moda entre os próprios paulistanos: um site que desperta nos internautas a vontade de levantar da cadeira não só para visitar shoppings e salas de cinema.

São Paulo vai morrer


Downtown Sao Paulo

Downtown Sao Paulo (Photo credit: Thomas Locke Hobbs)

As cidades também morrem. Há meio século, o lema de São Paulo era “a cidade não pode parar”. Hoje, nosso slogan deveria ser “São Paulo não pode morrer”. Porém, parece que fazemos todo o possível para apressar uma morte anunciada. Pior, o que acontece em São Paulo tornou-se infelizmente um modelo de urbanismo que se reproduz país afora. A seguir esse padrão de urbanização, em médio prazo estaremos frente a um verdadeiro genocídio das cidades brasileiras.

Enquanto muitas cidades no mundo apostam no fim do automóvel, por seu impacto ambiental baseado no individualismo, e reinvestem no transporte público, mais racional e menos impactante, São Paulo continua a promover o privilégio exclusivo dos carros. Ao fazer novas faixas para engarrafar mais gente na Marginal Tietê, com um dinheiro que daria para dez quilômetros de metrô, beneficia os 30% que viajam de automóvel todo dia, enquanto os outros 70% se apertam em ônibus, trens e metrôs superlotados. Quando não optam por andar a pé ou de bicicleta, e freqüentemente demais morrem atropelados. Uma cidade não pode permitir isso, e nem que cerca de três motociclistas morram por dia porque ela não consegue gerenciar um sistema que recebe diariamente 800 novos carros.

Não tem como sobreviver uma cidade que gasta milhões em túneis e pontes, em muitos dos quais, pasmem, os ônibus são proibidos. E que faz desaparecer seus rios e suas árvores, devorados pelas avenidas expressas. Nenhuma economia no mundo pode pretender sobreviver deixando que a maioria de seus trabalhadores perca uma meia jornada por dia – além do duro dia de trabalho – amontoada nos precários meios de transporte. Mas em São Paulo tudo se pode, inclusive levar cerca de quatro horas na ida e volta ao trabalho, partindo-se da periferia, em horas de pico.

Português do Brasil: Vista panorâmica da Margi...

Português do Brasil: Vista panorâmica da Marginal Tietê, São Paulo, Brasil. (Photo credit: Wikipedia)

Uma cidade que permite o avanço sem freios do mercado imobiliário (agora, sabe-se, com a participação ativa de funcionários da própria prefeitura), que desfigura bairros inteiros para fazer no lugar de casas pacatas prédios que fazem subir os preços a patamares estratosféricos e assim se oferecem apenas aos endinheirados; prédios que impermeabilizam o solo com suas garagens e aumentam o colapso do sistema hídrico urbano, que chegam a oferecer dez ou mais vagas por apartamento e alimentam o consumo exacerbado do automóvel; que propõem suítes em número desnecessário, o que só aumenta o consumo da água; uma cidade assim está permanentemente se envenenando. Condomínios que se tornaram fortalezas, que se isolam com guaritas e muros eletrificados e matam assim a rua, o sol, o vento, o ambiente, a vizinhança e o convívio social, para alimentar uma falsa sensação de segurança.

Sao Paulo Skyline

Sao Paulo Skyline (Photo credit: Thomas Locke Hobbs)

Enquanto as grandes cidades do mundo mantêm os shoppings à distância, São Paulo permite que se levante um a cada esquina. Até sua companhia de metrô achou por bem fazer shoppings, em vez de fazer o que deveria. O Shopping Center, em que pese a sempre usada justificativa da criação de empregos, colapsa ainda mais o trânsito, mata o comércio de bairro e aniquila a vitalidade das ruas.

Uma cidade que subordina seu planejamento urbano a decisões movidas pelo dinheiro, em nome do discutível lucro de grandes eventos, como corridas de carro ou a Copa do Mundo, delega as decisões de investimentos urbanos não a quem elegemos, mas a presidentes de clubes, de entidades esportivas internacionais ou ao mercado imobiliário.

Esta é uma cidade onde há tempos não se discute mais democraticamente seu planejamento, impondo-se a toque de caixa políticas caça-níqueis ou populistas, com forte caráter segregador. Uma cidade em que endinheirados ainda podem exigir que não se faça metrô nos seus bairros, em que tecnocratas podem decidir, sem que se saiba o porquê, que o mesmo metrô não deve parar na Cidade Universitária, mesmo que seja uma das maiores do continente.

Mas, acima de tudo, uma cidade que acha normal expulsar seus pobres para sempre mais longe, relegar quase metade de sua população, ou cerca de 4 milhões de pessoas, a uma vida precária e insalubre em favelas, loteamentos clandestinos e cortiços, quando não na rua; uma cidade que dá à problemática da habitação pouca ou nenhuma importância, que não prevê enfrentar tal questão com a prioridade e a escala que ela merece, esta cidade caminha para sua implosão, se é que ela já não começou.

Downtown Sao Paulo

Downtown Sao Paulo (Photo credit: Thomas Locke Hobbs)

Nenhuma comunidade, nenhuma empresa, nenhum bairro, nenhum comércio, nenhuma escola, nenhuma universidade, nem uma família, ninguém pode sobreviver com dignidade quando todos os parâmetros de uma urbanização minimamente justa, democrática, eficiente e sustentável foram deixados para trás. E que se entenda por “sustentável” menos os prédios “ecológicos” e mais nossa capacidade de garantir para nossos filhos e netos cidades em que todos – ricos e pobres – possam nela viver. Se nossos governantes, de qualquer partido que seja, não atentarem para isso, o que significa enfrentar interesses poderosos, a cidade de São Paulo talvez já possa agendar o dia se deu funeral. Para o azar dos que dela não puderem fugir.

João Sette Whitaker Ferreira, arquiteto-urbanista e economista, é professor da Faculdade de Urbanismo da Universidade de São Paulo e da Universidade Mackenzie.

USP, Universidade de São Paulo, Faculdade de A...

USP, Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Photo credit: Wikipedia)

Mais metrô, menos embromação


(English-speakers: you can read a pretty cool blog on this subject: http://progressivetransit.wordpress.com/ and also the article “A walk around the city of SP” that is at the bottom of this very post, just scroll down! :))

Do buraco em Pinheiros aos problemas na licitação da linha 5, escândalos no metrô não pararam de acontecer. Há ainda acidentes e paralisações

por CARLOS ZARATTINI, em Tendências e Debates, na Folha de S.P.

Os deputados Pedro Tobias e Cauê Macris tentaram usar este espaço, em 16/4 (“Por que o PT torce contra o metrô de SP?”), para defender a atuação do governo do Estado no transporte metropolitano, em particular metrô e CPTM. Para isso, atacaram as gestões do PT na cidade de São Paulo e no governo federal.

É lamentável que não tenham respondido com propostas ao verdadeiro “apagão no transporte” que se verifica nos últimos anos na cidade e na região metropolitana.

Não defenderam o governo Kassab (talvez porque o PSDB se sinta incomodado ao seu lado) e não se pronunciaram sobre as inúmeras questões jurídicas que hoje envolvem essas empresas. Não é pouca coisa. Desde o escândalo da Alstom, falcatruas não param de acontecer.

Para citar: o buraco do metrô em Pinheiros (com sete mortos), causado pelas necessidades de contenção de custos; a licitação da linha 5, em que o presidente do metrô foi afastado pela Justiça e as empresas indiciadas sob a acusação de conluio; as ações de empreiteiras reivindicando mais pagamentos pelas obras da linha 4; e a nomeação de um presidente com condenação na Justiça.

Tudo tem levado essas empresas para as páginas policiais.

E não é só. A falta de planejamento é notória. Em 2011, dos R$ 4,5 bilhões previstos para investimentos na expansão do metrô, o governo Alckmin executou só R$ 1,2 bilhão, deixando de aplicar 73% dos recursos estipulados no Orçamento.

A CPTM teve tratamento igual. Houve corte de investimentos na compra de trens, de R$ 684 milhões em 2010 para R$ 260 milhões em 2011 (corte de 56%), mesmo com recursos avalizados pelo governo federal.

Resultado: congestionamentos, acidentes, paralisações e até mortes.

Não há falta de recursos federais. Nos governos Lula e Dilma, São Paulo obteve autorização e a União afiançou R$ 21,2 bilhões em empréstimos subsidiados, no período de 2007 a 2012, para investimentos em transporte e mobilidade, sendo R$ 14 bilhões somente para modernização e expansão do Metrô e CPTM.

Estão previstos R$ 400 milhões do orçamento da União para a linha 18-bronze do metrô, a fundo perdido. O trecho sul do Rodoanel, grande vitrine de publicidade do ex-governador Serra, recebeu R$ 1,2 bilhão do governo Lula. Agora, o governo Alckmin recebe R$ 1,7 bilhão de repasse do governo Dilma para a construção do trecho norte. O Expresso Tiradentes teve mais de R$ 90 milhões liberados.

À imprensa, o secretário Jurandir Fernandes acusa as prefeituras, em particular a de São Paulo, de não fazer corredores de ônibus para aliviar o metrô e a CPTM. Tem razão.

Aliás, poderia ter explicado também porque não construiu corredores metropolitanos, de sua responsabilidade. Ele reconhece também que não foi prevista a ampliação do sistema elétrico para atender o aumento do número de passageiros. Só falta lembrar que os responsáveis foram os governos tucanos.

Agora, Alckmin promete 200 km de metrô até 2018, apesar de, em 17 anos, os governos do PSDB terem construído só 25 km. Mais um anúncio eleitoral e apetitoso para as empreiteiras. Afinal, novas linhas de metrô sempre foram o sonho do paulistano que sofre com congestionamentos e más condições nos ônibus.

O transporte público tem que ser mais barato e rápido, um sistema integrado operacional e tarifariamente. Para isso, deve ser prioridade tanto do Estado quanto da prefeitura.

Infelizmente, não é o que faz o PSDB. No lugar do debate transparente dos problemas enfrentados pelos paulistas, os tucanos partem para a desqualificação da discussão. Sinal da sua incapacidade de lidar com os desafios da cidade e do Estado.

CARLOS ZARATTINI, 51, é deputado federal (PT-SP). Foi secretário municipal de Transportes (gestão Marta)

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Nota minha: o texto estava ótimo até eu saber sobre o autor…considerando-se que ele foi secretário de transportes numa gestão anterior, bem…digamos assim que ele também não fez lá grandes coisas pela nossa cidade, certo?? O PT é ótimo nas críticas à oposição, mas na hora de arregaçar as mangas e se provar diferente de quem critica…se mostra essencialmente a mesma coisa (ou seja: incompetente e corrupto). Chega desses dois partidos que vêm afundando o Brasil nos últimos anos, está na hora de alguém mais entrar no poder para se mostrar digno do nosso voto.

AM recitando Byron e Baudelaire


Trevas

Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vaguejavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã – veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; cidades consumiam-se
E os homens se juntavam juntos às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes enquanto residiam bem à vista
dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
queimavam-se as florestas – mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se – e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo – e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chegavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas – e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só – e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam os seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e os famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga – ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Porém, de uma cidade enorme resistiram,
Dois inimigos, que vieram encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles as revolveram
E trêmulos rasparam, com as mão esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
Para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de um arremedo; então alcançaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro – ao ver, gritaram e morreram
– Morreram de sua própria e mútua hediondez,
Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara a fome “diabo”. O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era um informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte – um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
Mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a Escuridão não precisava
De seu auxílio – as Trevas eram o Universo.

O crepúsculo da tarde

Anão e servos, menestrel e bardos,
o árabe narrador e as bailarinas
desertaram das salas do banquete.
Haydéa e seu amante, a sós, estavam,
vendo o sol que em desmaio no ocidente
bordava o céu de franjas cor-de-rosa.

Ave-Maria! estrela do viandante,
tu conduzes ao pouso o peregrino
que anda, longe dos seus, na terra estranha.
Salve, estrela do mar; em ti se fitam
olhos e coração do marinheiro
que no oceano te saúda agora.
Salve, rainha excelsa, Ave-Maria!
Ei-la que chega a hora do teu culto,
à tardinha, em céu meigo, à luz do ocaso!

Bendita seja est’hora tão querida,
e o tempo, e o clima, e os sítios suspirados,
onde eu gozava na manhã da vida
o enlevo, – o santo enlevo, – deste instante!
Soava ao longe, – bem me lembro ainda, –
na velha torre o sino do mosteiro;
subia ao céu em notas morredouras
o harmonioso cântico da tarde;
era tudo silêncio, – e só se ouvia
a natureza a suspirar seus hinos
de arroubo e fé, – de devoção e pasmo.

Hora do coração, do amor, das preces,
Salve, Maria. Enlevo a ti minha alma,
Como é formoso o oval de teu semblante!
Amo teu rosto feiticeiro e belo,
amo o doce recato de teus olhos,
que se cravam na terra, enquanto adejam
sobre tua puríssima cabeça
cândidas asas de celeste anúncio!
Será isto um painel da fantasia?
Um quadro, um canto, uma legenda, um sonho?
Não! somente me prostro ante a verdade.

Aprazem-se uns obscuros casuístas
em criminar-me de ímpio. – Eles que venham
ajoelhar-se e suplicar comigo…
Veremos qual de nós melhor conhece
o caminho do céu. – São meus altares
as montanhas, as vagas do oceano,
a terra, o ar, os astros, o universo,
tudo o que emana da sublime Essência,
de onde exalou-se, e aonde irá minh’alma.

Hora doce do trêmulo crepúsculo!
quantas vezes errante, junto à praia,
na solidão dos bosques de Ravena,
que se alastram por onde antigamente
flutuavam as ondas do Adriático,
Bosques frondosos, para mim sagrados
pelos graciosos contos do Boccácio,
pelos versos de Dryden; – quantas vezes
aí cismei aos arrebóis da tarde!

Tudo o que há de mais grato, a ti devemos,
ó Héspero: – ao romeiro fatigado
dás a hospedagem: – a cansado obreiro,
a refeição da tarde; – ao passarinho,
a asa da mãe; – ao boi, o aprisco:
toda a paz que se goza em torno aos lares,
o quente, o meigo aninho dos penates,
descem contigo à hora do repouso,
tu coas n’alma o doce da saudade;
moves o coração, que a vez primeira
sai da terra natal, deixa os amigos,
e anda à mercê das ondas do oceano:
enterneces, enfim, o peregrino
ao som da torre, cuja voz sentida
como que chora o dia moribundo.

Embriaguem-se
(Baudelaire)

Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que lhes dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagar-se sem cessar é preciso.

Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua. Mas embriaguem-se.

E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão morna do seu quarto, vocês acordarem, com a embriaguez já diminuída ou sumida, perguntem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, a estrela, as aves responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; sem cessar embriaguem-se! De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua.

Programação da Virada Cultural 2012

Esta galeria contém 2 imagens.


dias 5 e 6 de maio   (Atualizada em 25 de abril) (se quiserem, visitem o site da virada: http://www.viradacultural.org/) Mapa do centro de São Paulo com a indicação dos palcos e dos locais onde haverá atrações: A oitava edição da Virada Cultural de São Paulo começa neste sábado (5), às 18h, com duração de 24 […]

Marginal vai ‘ganhar’ 50 mil novos carros


LUÍSA ALCALDE

Nos próximos anos, a capital terá 12 novos empreendimentos na Marginal do Pinheiros que vão gerar quase 50 mil vagas de estacionamento ao longo de uma das principais vias da cidade, já bastante congestionada. A maior parte desses mega complexos – que vão abrigar torres comerciais, residenciais, hotéis e shoppings centers – concentra-se nas regiões de Santo Amaro, Chácara Santo Antônio, Morumbi, Vila Olímpia e Itaim-Bibi, na zona sul.

Esses projetos constam de uma lista de 200 empreendimentos de grande porte – levando em conta o metro quadrado construído e o número de vagas criadas – considerados polos geradores de tráfego, elaborada pela Secretaria Municipal de Habitação e enviada ao Ministério Público (MP).

Com base nessa listagem, o MP quer saber quais as contrapartidas exigidas pela Prefeitura para aprovar os projetos e que tipo de obras viárias serão cobradas da iniciativa privada para que o trânsito nos entornos não se torne um caos e um transtorno a moradores dessas regiões.

“Este ano, nossa prioridade é investigar como a mobilidade urbana vem sendo tratada pelo poder público”, afirma o promotor José Carlos de Freitas, da Habitação e Urbanismo. “Os reflexos não são sentidos apenas no trânsito, mas também afeta outras áreas como a permeabilidade do solo da cidade”, explica ele.

O maior empreendimento – em tamanho e número de vagas – da capital fica na região da Chácara Santo Antônio, nos terrenos das antigas fábricas Monark e Tinken, entre as ruas Engenheiro Mesquita Sampaio, José Vicente Cavalheiro, João Peixoto dos Santos e Antônio de Oliveira. O terreno tem 585 mil metros quadrados e vai gerar 10.483 vagas.

Terá hotel, torres comerciais e residenciais e também um shopping center. As obras ainda nem começaram, mas moradores do entorno já se mostram preocupados com o futuro do bairro. É o caso da professora aposentada Sueli Labônia, de 60 anos, que mora no local há 36 anos. “Está todo mundo preocupado com as desapropriações que devem ocorrer para que as obras viárias sejam realizadas”, diz Sueli.

O marido dela, o advogado Nelson Labônia, de 68 anos, vislumbra uma grande revolução no bairro quando o megaempreendimento abrir. “Vai transformar totalmente a região e o trânsito, que de alguns anos para cá já ficou complicado entre as 20 horas e as 21h30”, afirma.

Na Marginal do Pinheiros, esquina com a Rua Luis Correia de Melo, na região de Santo Amaro, zona sul, no terreno onde durante anos funcionaram quadras de tênis para aluguel, outro empreendimento começa a tomar forma. No local, haverá 396 unidades residenciais, 204 salas comerciais e 20 espaços corporativos com 1.364 vagas. As movimentações de caminhões já preocupam moradores, como a aposentada Hiromi Kondo, de 68 anos, que vive há 40 anos no bairro.

“No ano passado começou a funcionar um condomínio residencial e há outros dois sendo erguidos. O trânsito já é difícil pois essa rua virou rota de fuga da Marginal”, conta.

Na Marginal do Pinheiros esquina com as ruas Doutor Rubens Gomes e Acari, também na região de Santo Amaro, um terreno de 201 mil metros quadrados vai abrigar o Brookfield Towers, com duas torres e um shopping center. O local teria o prédio mais alto do País, com 200 metros, mas a altura foi rebaixada para 135 metros. Serão 3.809 vagas de estacionamento. “Ninguém vai sair do lugar de carro”, diz o metalúrgico Antonio Andrade, de 61 anos, que trabalha em uma empresa ao lado.

Sem obras, empreendimento não pode abrir

Grandes empreendimentos comerciais, residenciais, shopping centers, hipermercados, faculdades, entre outros, são obrigados, por lei, a promover e custear melhorias no sistema viário do entorno dos bairros onde serão instalados.

Entre as contrapartidas exigidas constam mudanças viárias como alargamento de ruas, instalação de semáforos, pintura de vias, construção de passarelas e até viadutos. O objetivo é diminuir o impacto que empreendimentos de grande porte causam sobre o tráfego das vias que lhes dão acesso.

Cabe à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) decidir que tipo de intervenções deverão ser feitas. Somente depois de cumprirem todas as exigências é que a Prefeitura concede o alvará, conhecido como “habite-se”, para que os empreendimentos comecem a funcionar.

Alguns polos geradores de tráfego: edifícios residenciais com 500 vagas de estacionamento ou mais; não residenciais com 120 vagas ou mais em áreas especiais de tráfego; não residenciais com 280 vagas ou mais nas demais áreas da capital; serviços socioculturais, de lazer e de educação com mais de 2,5 mil metros quadrados de área construídos; locais de reunião ou eventos com capacidade para 500 pessoas ou mais.

Projetos são aprovados sem avaliação de impacto

O engenheiro de tráfego Roberto Scaringella, ex-diretor da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), diz que as políticas de uso do solo e de mobilidade urbana precisam com urgência serem harmonizadas na capital. “Devem ser duas legislações harmônicas e não divorciadas”, disse.

De forma semelhante pensa a arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, da ONG Defenda São Paulo. “A Prefeitura, nos últimos anos, tem aprovado grandes empreendimentos sem levar em conta os impactos cumulativos que eles vão causar nas regiões em que estão sendo instalados” afirma.

“A Secretaria de Habitação aprova alguns projetos e a CET outros, sem que eles estejam conectados uns com os outros. Dessa forma, não se sabe a correta dimensão dos impactos para a cidade. E, o pior, ao longo desses novos empreendimentos não há previsão de instalação de transporte público para desafogar o trânsito. Lá na frente isso vai dar muito errado. É um crime o que vem sendo feito ”, afirma ela.

O professor João Sette Whitaker, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e do Mackenzie, também vê com enorme preocupação como a cidade vem sendo urbanizada nos últimos anos. “É o total liberalismo do capital. São os interesses imobiliários que estão prevalecendo. As grandes empresas fazem o que bem entendem”, diz.

“É só ver exemplos recentes: a Ponte Octavio Frias de Oliveira, da Marginal do Pinheiros, não foi feita para ônibus e as vias da Marginal do Tietê foram alargadas sem que mais quilômetros de metrô fossem abertos. Estão matando a cidade”, analisa Whitaker.

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/marginal-vai-ganhar-50-mil-novos-carros/

Feira Erótica 2012


A maior Erótika Fair da America Latina começou com uma ação em plena Avenida Paulista modelos com uma pintura corporal que mal dava para perceber que não eram roupas de verdade, distribuíram maçãs fruta simbólica da Erótika aos motoristas e pedestres.O que mais chamou atenção foram os modelos seminus vestidos pela tinta.”

A 19ª edição da Erótika Fair começou nesta quinta-feira (22) no Palácio de Convenções do Anhembi (zona norte de São Paulo). Até domingo (25), o evento oferece –aos consumidores e profissionais da área– atrações como shows de striptease, pole dance, aulas de pompoarismo, filmes eróticos em 3D e até show de “stand-up”, com o humorista Márcio Ribeiro.

Os ingressos custam R$ 60 (cada dia), e há um pacote promocional por R$ 120 para os quatro dias de feira.

Angela Bismarchi fez a abertura oficial do evento, às 15h, quando recebeu o prêmio de embaixatriz do mercado erótico, além de lançar a boneca Angel Barbie, que tem pelos pubianos.

A educadora sexual Laura Muller, conhecida pelas participações no programa “Altas Horas” (Globo), confirma presença e realiza palestras para os profissionais da área.

Atores e atrizes do universo erótico também estão no evento, fazendo ensaios fotográficos e distribuindo autógrafos.

Palestras, exposições, desfiles e cursos constam na programação da Erótika Fair, que espera levar cerca de 25 mil pessoas ao Anhembi.

Para mais informações, acesse o site do evento: www.erotikafair.com.br.

19ª Erótika Fair – Palácio de Convenções do Anhembi – av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, zona norte, São Paulo, SP. Metrô Tietê – chegando à estação, pegar o ônibus Ceasa. Qui. (22) a dom. (25): 14h às 22h. Ingr.: R$ 60. Proibido para menores de 18 anos.

Em feira erótica, Ângela Bismarchi diz que já fez sexo em cima de um camelo

Ângela Bismarchi foi coroada como embaixatriz do mercado erótico e sensual na 19ª Erótika Fair, na tarde desta quinta-feira, 22, no Anhembi, em São Paulo. Se for levar em conta o currículo de fantasias sexuais que a moça já realizou com seu marido, ela deve permanecer com o título por bastante tempo. Ao EGO, Ângela contou que já fez sexo até em cima de um camelo.

“Já realizei várias fantasias, uma vez fiz sexo em cima de um camelo”, disse a modelo, surpreendendo os repórteres. “Foi em uma viagem para a Arábia com o meu marido, ninguém viu”, completou ela. “Já fiz no banheiro do avião, é apertadinho porque eu sou grandona, mas a gente deu um jeito. Dentro daqueles trens-balas na Europa, também”.

Além de receber a faixa, a Ângela participou da feira para lançar seu novo produto erótico, um tapa sexo estimulante para as mulheres. “Ele serve para aumentar a libido das mulheres, esquenta e esfria. Testo todos os produtos com o meu marido antes de mandar para o mercado”, contou ela.

Casada há quase oito anos, Ângela contou que não quer ser vista de forma pornográfica, mas como uma pessoa que ajuda casais a serem mais felizes. “Quero ser um exemplo no mercado erótico e sensual como uma mulher bem casada e realizada, não quero levar para o lado da pornografia e da sacanagem, mas ajudar os casais a serem mais felizes.”

Ângela tirou a roupa e sentou uma banheira em um dos estandes para gravar seu programa “De 4″. Quase fazendo uma releitura do caldo que ela tomou durante uma sessão de fotos em uma praia, a modelo escorregou e caiu ao entrar na banheira, mas foi ajudada por seu produtor. Em seguida, a loira ficou reclamando que tinha machucado o joelho.”

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Caso tenham interesse, aproveitem para responder pelo menos algumas de minhas enquetes (tem mais fora essas, vejam o menu aí no alto à direita):

https://janusaureus.wordpress.com/sobre-about/enquetes/homens/

https://janusaureus.wordpress.com/sobre-about/enquetes/iniciativa/

https://janusaureus.wordpress.com/sobre-about/enquetes/parafilias-fetiches-e-tal/

https://janusaureus.wordpress.com/sobre-about/enquetes/habitos-amorosossexuais/

Abaixo, veja algumas fotos e vídeos do evento que compilei (desculpem a falta de fontes, visitei diversos sites, inclusive a página da Erótika Fair no Facebook e o Flickr da fotógrafa Amanda Tavano) – este primeiro vídeo, do strip tease da Jackie Kuerten, é meu. Na verdade, tem um segundo também, em que ela finaliza o strip, mas não vou compartilhar, mesmo porque não sei se a artista permitiria (procurei no Youtube e nenhum daqueles marmanjos que estavam tirando fotos e filmando e babando em cima dela compartilharam, então não serei eu a primeira…):

(se têm interesse em literatura erótica, vejam este meu outro post…)