Deprimente….mas compreensível


Quase metade dos brasileiros aceita tortura de criminosos em alguns casos

Pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência mostra que tolerância a agressões contra estupradores e traficantes subiu de 1999 a 2010

O número de pessoas que discordam claramente da tortura para obtenção de provas caiu de 71,2% para 52,5% entre 1999 e 2010. Isso significa que quase a metade dos entrevistados (47%) em 11 capitais brasileiras toleraria a violência contra suspeitos em determinados casos. Os números fazem parte da “Pesquisa nacional, por amostragem domiciliar, sobre atitudes, normas culturais e valores em relação a violação de direitos humanos e violência”, divulgada ontem pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo revela que aproximadamente um terço dos entrevistados defende ameaçar verbalmente, bater, dar choques, queimar com pontas de cigarro, ameaçar parentes e deixar sem água ou comida suspeitos acusados por crimes como estupro e tráfico de drogas, por exemplo.

Para a coordenadora da pesquisa, Nancy Cardia, isso mostra que as pessoas não acreditam na prisão como uma forma de reabilitar ou punir de forma eficaz quem cometeu um crime. “Aceitam a tortura não para a obtenção de provas, mas porque na verdade acreditam que é uma pré-punição. Apoiam por não acreditarem na pena de prisão, que apontam como nada mais do que um depósito de gente.”

Segundo a pesquisa, 50% das penas mais lembradas pelos entrevistados não estão no Código Penal. Entre elas estão prisão perpétua, pena de morte e prisão com trabalhos forçados. O levantamento aponta também que os jovens são os que escolhem a pena de morte com mais frequência – de forma geral, é considerada inaceitável por 51% dos entrevistados.

Coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, Daniela Skromov diz que a queda no número de pessoas que discordam claramente de tortura como método de investigação é preocupante. “Tem um pouco a ver com a moda de que o bacana é ser flexível, como se isso implicasse abrir mão de valores fundamentais.”

Nas capitais pesquisadas, houve também uma melhora na avaliação positiva das instituições de segurança pública. A Polícia Militar, por exemplo, foi apontada como boa ou muito boa por 38,7% das pessoas em 2010 – eram 21,2% em 1999.

Em contrapartida, caiu o porcentual dos que discordam totalmente que a polícia possa “invadir uma casa” (de 78,4% para 63,8%), “atirar em um suspeito” (de 87,9% para 68,6%), “agredir um suspeito” (de 88,7%, para 67,9%) e “atirar em suspeito armado” (de 45,4% para 38%).

Vítimas. Houve entre os pesquisados diminuição no porcentual daqueles que ficaram expostos diretamente à violência, mas cresceu o número dos que testemunharam ou ouviram de pessoa próxima casos de violência. Também foi maior em 2010 a quantidade de entrevistados que disseram ter presenciado em seus bairros uso de drogas, prisão, assalto e agressão, em comparação com 1999.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,quase-metade-dos-brasileiros-aceita-tortura-de-criminosos-em-alguns-casos-,882485,0.htm

42% acham ‘justificável’ governo censurar a mídia

Para pesquisadora, esperava-se que após 30 anos de redemocratização País já tivesse avançado nesse tipo de questão

A pesquisa desenvolvida pela Núcleo de Estudos da Violência (NEV) mostra também que a grande maioria dos entrevistados considera inaceitável a violação dos direitos de manifestação (86,5%) e da liberdade de os meios de comunicação criticarem o governo (81,4%). Porém, quando questionados especificamente a respeito de alguns pontos, 42,1% concordam totalmente ou em parte que é justificável que o governo censure a imprensa e 40% aceitam que pessoas sejam presas por posições políticas, com a finalidade de manter a ordem social, como acontecia no regime militar (1964-1985).

Para a coordenadora da pesquisa, Nancy Cardia, era esperado que, quase 30 anos depois do processo de redemocratização, o País já tivesse avançado nesse tipo de questão. “De forma geral, vários indicadores têm melhorado, mas há vulnerabilidades que não desaparecem, há focos muito pouco democráticos que sobrevivem, como apoio à tortura, questões sobre dissidência política (opinião contrária à dos governantes) e liberdade dos meios de comunicação como cláusula pétrea. Esperava um maior consenso a respeito dessas questões, mas parece que é uma mudança muito lenta.”

A defensora pública Daniela Skromov aponta algumas causas para a existência de um “núcleo duro” de resistência aos avanços democráticos. “O retrocesso sempre ronda. A democracia não se dá por decreto, ela é uma vivência. Temos vivido tempos em que a participação e discussão públicas são raras. A cidadania se restringe atualmente ao voto. Não fizemos a transição democrática a contento, e essas opiniões refletem uma baixa participação cidadã.”

Segundo a pesquisa, 40,4% das pessoas ouvidas concordam que, para a segurança do governo, o País tem o direito de retirar a nacionalidade de alguém. O levantamento mostra também que 43% dos entrevistados apoiam que o País expulse quem tenha posições políticas que ameacem o governo.

A maioria dos entrevistados (64,9%) apontou também que “o Judiciário se preocupa demais com os direitos dos acusados”. A pesquisa ouviu 4.025 pessoas residentes em 11 capitais (entre elas Rio e São Paulo), com 16 anos ou mais, selecionadas pelo perfil demográfico, em 2010. / W.C.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,42-acham-justificavel–governo-censurar-a-midia-,882486,0.htm

Aprendendo a partir de uma carta de Einstein a Freud (e a carta-resposta)


Até pouco tempo atrás eu nem imaginava que ambos sequer tinham travado conhecimento um do outro (desinformada eu, né! *rs*). Claro, foi uma iniciativa da Liga das Nações (= a ONU antiga), ou seja, não foi uma troca “real” de correspondências, mas mesmo assim, tá valendo! Leiam e aprendam com dois dos tios mais importantes da história moderna 😉

POR QUE A GUERRA? (EINSTEIN E FREUD – 1933 [1932]

A presente tradução inglesa da carta de Freud é uma versão corrigida publicada em 1950. A carta de Einstein é incluída aqui com autorização de seus testamenteiros e, por solicitação destes, é apresentada na versão original inglesa de Stuart Gilbert. Parte do texto alemão da carta de Freud foi publicada em Psychoanal. Bewegung, 5 (1933), 207-16. Parte da tradução inglesa de 1933 foi incluída na obra de Rickman, Civilization, War and Death: Selections from Three Works by Sigmund Freud (1939), 82-97.

Foi em 1931 que o Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual foi instruído pelo Comitê Permanente para a Literatura e as Artes da Liga das Nações a promover trocas de correspondência entre intelectuais de renome ‘a respeito de assuntos destinados a servir aos interesses comuns à Liga das Nações e à vida intelectual’, e a publicar essas cartas periodicamente. Entre os primeiros que o Instituto abordou estava Einstein, e foi ele quem sugeriu o nome de Freud. Assim sendo, em junho de 1932, o secretário do Instituto escreveu a Freud, convidando-o a participar, ao que ele prontamente acedeu. A carta de Einstein chegou-lhe no início de agosto, e sua resposta estava concluída um mês depois. A correspondência foi publicada em Paris, pelo Instituto, em março de 1933, em alemão, francês e inglês, simultaneamente. No entanto, sua circulação foi proibida na Alemanha.

Freud não ficou propriamente entusiasmado com o trabalho e qualificou-o como discussão enfadonha e estéril (Jones, 1957, 187). Einstein e Freud absolutamente nunca foram íntimos um do outro e apenas tiveram um encontro no início de 1927, na casa do filho mais novo de Freud, em Berlim. Em carta a Ferenczi, dando conta do ocorrido, Freud escreveu: ‘Ele entende tanto de psicologia quanto eu entendo de física, de modo que tivemos uma conversa muito agradável.’(Ibid., 139). Algumas cartas muito amistosas foram trocadas entre os dois, em 1936 e 1939. (Ibid., 217-18 e 259.)

Já anteriormente Freud escrevera sobre o tema da guerra: na primeira seção (‘The Disillusionment of War’) de seu artigo ‘Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte’ (1915b), escrito logo após o início da primeira guerra mundial. Embora algumas das idéias expressas no presente artigo apareçam no anterior, elas estão mais estreitamente relacionadas às idéias contidas em seus escritos recentes sobre temas sociológicos — O Futuro de uma Ilusão (1927c) e O Mal-Estar na Civilização (1930a). Um interesse especial surge aqui em relação a um desenvolvimento maior de pontos de vista de Freud sobre civilização como ‘processo’, que tinham sido apresentados por ele em diversos tópicos do último desses trabalhos mencionados (por exemplo, no final do Capítulo III, Edição Standard Brasileira, Vol. XXI, págs. 117-18, IMAGO Editora, 1974, e na última parte do Capítulo VIII, ibid., pág. 164 e segs.). Também retoma, uma vez mais, o tema do instinto destrutivo, sobre o qual discorrera extensamente nos Capítulos V e VI do mesmo livro, e ao qual haveria de retornar em escritos posteriores. (Cf. a Introdução do Editor Inglês a O Mal-Estar na Civilização, ibid., págs. 78-80.)

CARTA DE EINSTEIN

Caputh junto a Potsdam, 30 de julho de 1932

Prezado Professor Freud,

A proposta da Liga das Nações e de seu Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual, em Paris, de que eu convidasse uma pessoa, de minha própria escolha, para um franco intercâmbio de pontos de vista sobre algum problema que eu poderia selecionar, oferece-me excelente oportunidade de conferenciar com o senhor a respeito de uma questão que, da maneira como as coisas estão, parece ser o mais urgente de todos os problemas que a civilização tem de enfrentar. Este é o problema: Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra? É do conhecimento geral que, com o progresso da ciência de nossos dias, esse tema adquiriu significação de assunto de vida ou morte para a civilização, tal como a conhecemos; não obstante, apesar de todo o empenho demonstrado, todas as tentativas de solucioná-lo terminaram em lamentável fracasso.

Ademais, acredito que aqueles cuja atribuição é atacar o problema de forma profissional e prática, estão apenas adquirindo crescente consciência de sua impotência para abordá-lo, e agora possuem um vivo desejo de conhecer os pontos de vistas de homens que, absorvidos na busca da ciência, podem mirar os problemas do mundo na perspectiva que a distância permite. Quanto a mim, o objetivo habitual de meu pensamento não me permite uma compreensão interna das obscuras regiões da vontade e do sentimento humano. Assim, na indagação ora proposta, posso fazer pouco mais do que procurar esclarecer a questão em referência e, preparando o terreno das soluções mais óbvias, possibilitar que o senhor proporcione a elucidação do problema mediante o auxílio do seu profundo conhecimento da vida instintiva do homem. Existem determinados obstáculos psicológicos cuja existência um leigo em ciências mentais pode obscuramente entrever, cujas inter-relações e filigranas ele, contudo, é incompetente para compreender; estou convencido de que o senhor será capaz de sugerir métodos educacionais situados mais ou menos fora dos objetivos da política, os quais eliminarão esses obstáculos.

Como pessoa isenta de preconceitos nacionalistas, pessoalmente vejo uma forma simples de abordar o aspecto superficial (isto é, administrativo) do problema: a instituição, por meio de acordo internacional, de um organismo legislativo e judiciário para arbitrar todo conflito que surja entre nações. Cada nação submeter-se-ia à obediência às ordens emanadas desse organismo legislativo, a recorrer às suas decisões em todos os litígios, a aceitar irrestritamente suas decisões e a pôr em prática todas as medidas que o tribunal considerasse necessárias para a execução de seus decretos. Já de início, todavia, defronto-me com uma dificuldade; um tribunal é uma instituição humana que, em relação ao poder de que dispõe, é inadequada para fazer cumprir seus veredictos, está muito sujeito a ver suas decisões anuladas por pressões extrajudiciais. Este é um fato com que temos de contar; a lei e o poder inevitavelmente andam de mãos dadas, e as decisões jurídicas se aproximam mais da justiça ideal exigida pela comunidade (em cujo nome e em cujos interesses esses veredictos são pronunciados), na medida em que a comunidade tem efetivamente o poder de impor o respeito ao seu ideal jurídico. Atualmente, porém, estamos longe de possuir qualquer organização supranacional competente para emitir julgamentos de autoridade incontestável e garantir absoluto acatamento à execução de seus veredictos. Assim, sou levado ao meu primeiro princípio; a busca da segurança internacional envolve a renúncia incondicional, por todas as nações, em determinada medida, à sua liberdade de ação, ou seja, à sua soberania, e é absolutamente evidente que nenhum outro caminho pode conduzir a essa segurança.

O insucesso, malgrado sua evidente sinceridade, de todos os esforços, durante a última década, no sentido de alcançar essa meta, não deixa lugar à dúvida de que estão em jogo fatores psicológicos de peso que paralisam tais esforços. Alguns desses fatores são mais fáceis de detectar. O intenso desejo de poder, que caracteriza a classe governante em cada nação, é hostil a qualquer limitação de sua soberania nacional. Essa fome de poder político está acostumada a medrar nas atividades, de um outro grupo, cujas aspirações são de caráter econômico, puramente mercenário. Refiro-me especialmente a esse grupo reduzido, porém decidido, existente em cada nação, composto de indivíduos que, indiferentes às condições e aos controles sociais, consideram a guerra, a fabricação e venda de armas simplesmente como uma oportunidade de expandir seus interesses pessoais e ampliar a sua autoridade pessoal.

O reconhecimento desse fato, no entanto, é simplesmente o primeiro passo para uma avaliação da situação atual. Logo surge uma outra questão: como é possível a essa pequena súcia dobrar a vontade da maioria, que se resigna a perder e a sofrer com uma situação de guerra, a serviço da ambição de poucos? (Ao falar em maioria, não excluo os soldados, de todas as graduações, que escolheram a guerra como profissão, na crença de que estejam servindo à defesa dos mais altos interesses de sua raça e de que o ataque seja, muitas vezes, o melhor meio de defesa.) Parece que uma resposta óbvia a essa pergunta seria que a minoria, a classe dominante atual, possui as escolas, a imprensa e, geralmente, também a Igreja, sob seu poderio. Isto possibilita organizar e dominar as emoções das massas e torná-las instrumento da mesma minoria.

Ainda assim, nem sequer essa resposta proporciona uma solução completa. Daí surge uma nova questão: como esses mecanismos conseguem tão bem despertar nos homens um entusiasmo extremado, a ponto de estes sacrificarem suas vidas? Pode haver apenas uma resposta. É porque o homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição. Em tempos normais, essa paixão existe em estado latente, emerge apenas em circunstâncias anormais; é, contudo, relativamente fácil despertá-la e elevá-la à potência de psicose coletiva. Talvez aí esteja o ponto crucial de todo o complexo de fatores que estamos considerando, um enigma que só um especialista na ciência dos instintos humanos pode resolver.

Com isso, chegamos à nossa última questão. É possível controlar a evolução da mente do homem, de modo a torná-lo à prova das psicoses do ódio e da destrutividade? Aqui não me estou referindo tão-somente às chamadas massas incultas. A experiência prova que é, antes, a chamada ‘Intelligentzia’ a mais inclinada a ceder a essas desastrosas sugestões coletivas, de vez que o intelectual não tem contato direto com o lado rude da vida, mas a encontra em sua forma sintética mais fácil — na página impressa.

Para concluir: Até aqui somente falei das guerras entre nações, aquelas que se conhecem como conflitos internacionais. Estou, porém, bem consciente de que o instinto agressivo opera sob outras formas e em outras circunstâncias. (Penso nas guerras civis, por exemplo, devidas à intolerância religiosa, em tempos precedentes, hoje em dia, contudo, devidas a fatores sociais; ademais, também nas perseguições a minorias raciais.) Foi deliberada a minha insistência naquilo que é a mais típica, mais cruel e extravagante forma de conflito entre homem e homem, pois aqui temos a melhor ocasião de descobrir maneiras e meios de tornar impossíveis qualquer conflito armado.

Sei que nos escritos do senhor podemos encontrar respostas, explícitas ou implícitas, a todos os aspectos desse problema urgente e absorvente. Mas seria da maior utilidade para nós todos que o senhor apresentasse o problema da paz mundial sob o enfoque das suas mais recentes descobertas, pois uma tal apresentação bem poderia demarcar o caminho para novos e frutíferos métodos de ação.

Muito cordialmente,

A. EINSTEIN. Viena, setembro de 1932.

 

CARTA DE FREUD

Prezado Professor Einstein,

Quando soube que o senhor intencionava convidar-me para um intercâmbio de pontos de vista sobre um assunto que lhe interessava e que parecia merecer o interesse de outros além do senhor, aceitei prontamente. Esperava que o senhor escolhesse um problema situado nas fronteiras daquilo que é atualmente cognoscível, um problema em relação ao qual cada um de nós, físico e psicólogo, pudesse ter o seu ângulo de abordagem especial, e no qual pudéssemos nos encontrar, sobre o mesmo terreno, embora partindo de direções diferentes. O senhor apanhou-me de surpresa, no entanto, ao perguntar o que pode ser feito para proteger a humanidade da maldição da guerra. Inicialmente me assustei com o pensamento de minha — quase escrevi ‘nossa’ — incapacidade de lidar com o que parecia ser um problema prático, um assunto para estadistas. Depois, no entanto, percebi que o senhor havia proposto a questão, não na condição de cientista da natureza e físico, mas como filantropo: o senhor estava seguindo a sugestão da Liga das Nações, assim como Fridtjof Nansen, o explorador polar, assumiu a tarefa de auxiliar as vítimas famintas e sem teto da guerra mundial. Além do mais, considerei que não me pediam para propor medidas práticas, mas sim apenas que eu delimitasse o problema da evitação da guerra tal como ele se configura aos olhos de um cientista da psicologia. Também nesse ponto, o senhor disse quase tudo o que há a dizer sobre o assunto. Embora o senhor se tenha antecipado a mim, ficarei satisfeito em seguir no seu rasto e me contentarei com confirmar tudo o que o senhor disse, ampliando-o com o melhor do meu conhecimento — ou das minhas conjecturas.

O senhor começou com a relação entre o direito e o poder. Não se pode duvidar de que seja este o ponto de partida correto de nossa investigação. Mas, permita-me substituir a palavra ‘poder’ pela palavra mais nua e crua violência’? Atualmente, direito e violência se nos afiguram como antíteses. No entanto, é fácil mostrar que uma se desenvolveu da outra e, se nos reportarmos às origens primeiras e examinarmos como essas coisas se passaram, resolve-se o problema facilmente. Perdoe-me se, nessas considerações que se seguem, eu trilhar chão familiar e comumente aceito, como se isto fosse novidade; o fio de minhas argumentações o exige.

É, pois, um princípio geral que os conflitos de interesses entre os homens são resolvidos pelo uso da violência. É isto o que se passa em todo o reino animal, do qual o homem não tem motivo por que se excluir. No caso do homem, sem dúvida ocorrem também conflitos de opinião que podem chegar a atingir a mais raras nuanças da abstração e que parecem exigir alguma outra técnica para sua solução. Esta é, contudo, uma complicação a mais. No início, numa pequena horda humana, era a superioridade da força muscular que decidia quem tinha a posse das coisas ou quem fazia prevalecer sua vontade. A força muscular logo foi suplementada e substituída pelo uso de instrumentos: o vencedor era aquele que tinha as melhores armas ou aquele que tinha a maior habilidade no seu manejo. A partir do momento em que as armas foram introduzidas, a superioridade intelectual já começou a substituir a força muscular bruta; mas o objetivo final da luta permanecia o mesmo — uma ou outra facção tinha de ser compelida a abandonar suas pretensões ou suas objeções, por causa do dano que lhe havia sido infligido e pelo desmantelamento de sua força. Conseguia-se esse objetivo de modo mais completo se a violência do vencedor eliminasse para sempre o adversário, ou seja, se o matasse. Isto tinha duas vantagens: o vencido não podia restabelecer sua oposição, e o seu destino dissuadiria outros de seguirem seu exemplo. Ademais disso, matar um inimigo satisfazia uma inclinação instintual, que mencionarei posteriormente. À intenção de matar opor-se-ia a reflexão de que o inimigo podia ser utilizado na realização de serviços úteis, se fosse deixado vivo e num estado de intimidação. Nesse caso, a violência do vencedor contentava-se com subjugar, em vez de matar, o vencido. Foi este o início da idéia de poupar a vida de um inimigo, mas a partir daí o vencedor teve de contar com a oculta sede de vingança do adversário vencido e sacrificou uma parte de sua própria segurança.

Esta foi, por conseguinte, a situação inicial dos fatos: a dominação por parte de qualquer um que tivesse poder maior — a dominação pela violência bruta ou pela violência apoiada no intelecto. Como sabemos, esse regime foi modificado no transcurso da evolução. Havia um caminho que se estendia da violência ao direito ou à lei. Que caminho era este? Penso ter sido apenas um: o caminho que levava ao reconhecimento do fato de que à força superior de um único indivíduo, podia-se contrapor a união de diversos indivíduos fracos. ‘L’union fait la force.’ A violência podia ser derrotada pela união, e o poder daqueles que se uniam representava, agora, a lei, em contraposição à violência do indivíduo só. Vemos, assim, que a lei é a força de uma comunidade. Ainda é violência, pronta a se voltar contra qualquer indivíduo que se lhe oponha; funciona pelos mesmos métodos e persegue os mesmos objetivos. A única diferença real reside no fato de que aquilo que prevalece não é mais a violência de um indivíduo, mas a violência da comunidade. A fim de que a transição da violência a esse novo direito ou justiça pudesse ser efetuada, contudo, uma condição psicológica teve de ser preenchida. A união da maioria devia ser estável e duradoura. Se apenas fosse posta em prática com o propósito de combater um indivíduo isolado e dominante, e fosse dissolvida depois da derrota deste, nada se teria realizado. A pessoa, a seguir, que se julgasse superior em força, haveria de mais uma vez tentar estabelecer o domínio através da violência, e o jogo se repetiria ad infinitum. A comunidade deve manter-se permanentemente, deve organizar-se, deve estabelecer regulamentos para antecipar-se ao risco de rebelião e deve instituir autoridades para fazer com que esses regulamentos — as leis — sejam respeitadas, e para superintender a execução dos atos legais de violência. O reconhecimento de uma entidade de interesses como estes levou ao surgimento de vínculos emocionais entre os membros de um grupo de pessoas unidas — sentimentos comuns, que são a verdadeira fonte de sua força.

Acredito que, com isso, já tenhamos todos os elementos essenciais: a violência suplantada pela transferência do poder a uma unidade maior, que se mantém unida por laços emocionais entre os seus membros. O que resta dizer não é senão uma ampliação e uma repetição desse fato.

A situação é simples enquanto a comunidade consiste em apenas poucos indivíduos igualmente fortes. As leis de uma tal associação irão determinar o grau em que, se a segurança da vida comunal deve ser garantida, cada indivíduo deve abrir mão de sua liberdade pessoal de utilizar a sua força para fins violentos. Um estado de equilíbrio dessa espécie, porém, só é concebível teoricamente. Na realidade, a situação complica-se pelo fato de que, desde os seus primórdios, a comunidade abrange elementos de força desigual — homens e mulheres, pais e filhos — e logo, como conseqüência da guerra e da conquista, também passa a incluir vencedores e vencidos, que se transformam em senhores e escravos. A justiça da comunidade então passa a exprimir graus desiguais de poder nela vigentes. As leis são feitas por e para os membros governantes e deixa pouco espaço para os direitos daqueles que se encontram em estado de sujeição. Dessa época em diante, existem na comunidade dois fatores em atividade que são fonte de inquietação relativamente a assuntos da lei, mas que tendem, ao mesmo tempo, a um maior crescimento da lei. Primeiramente, são feitas, por certos detentores do poder, tentativas, no sentido de se colocarem acima das proibições que se aplicam a todos — isto é, procuram escapar do domínio pela lei para o domínio pela violência. Em segundo lugar, os membros oprimidos do grupo fazem constantes esforços para obter mais poder e ver reconhecidas na lei algumas modificações efetuadas nesse sentido — isto é, fazem pressão para passar da justiça desigual para a justiça igual para todos. Essa segunda tendência torna-se especialmente importante se uma mudança real de poder ocorre dentro da comunidade, como pode ocorrer em conseqüência de diversos fatores históricos. Nesse caso, o direito pode gradualmente adaptar-se à nova distribuição do poder; ou, como sucede com maior freqüência, a classe dominante se recusa a admitir a mudança e a rebelião e a guerra civil se seguem, com uma suspensão temporária da lei e com novas tentativas de solução mediante a violência, terminando pelo estabelecimento de um novo sistema de leis. Ainda há uma terceira fonte da qual podem surgir modificações da lei, e que invariavelmente se exprime por meios pacíficos: consiste na transformação cultural dos membros da comunidade. Isto, porém, propriamente faz parte de uma outra correlação e deve ser considerado posteriormente.Ver em [[1]].

Vemos, pois, que a solução violenta de conflitos de interesses não é evitada sequer dentro de uma comunidade. As necessidades cotidianas e os interesses comuns, inevitáveis ali onde pessoas vivem juntas num lugar, tendem, contudo, a proporcionar a essas lutas uma conclusão rápida, e, sob tais condições, existe uma crescente probabilidade de se encontrar uma solução pacífica. Outrossim, um rápido olhar pela história da raça humana revela uma série infindável de conflitos entre uma comunidade e outra, ou diversas outras, entre unidades maiores e menores — entre cidades, províncias, raças, nações, impérios —, que quase sempre se formaram pela força das armas. Guerras dessa espécie terminam ou pelo saque ou pelo completo aniquilamento e conquista de uma das partes. É impossível estabelecer qualquer julgamento geral das guerras de conquista. Algumas, como as empreendidas pelos mongóis e pelos turcos, não trouxeram senão malefícios. Outras, pelo contrário, contribuíram para a transformação da violência em lei, ao estabelecerem unidades maiores, dentro das quais o uso da violência se tornou impossível e nas quais um novo sistema de leis solucionou os conflitos. Desse modo, as conquistas dos romanos deram aos países próximos ao Mediterrâneo a inestimável pax romana, e a ambição dos reis franceses de ampliar os seus domínios criou uma França pacificamente unida e florescente. Por paradoxal que possa parecer, deve-se admitir que a guerra poderia ser um meio nada inadequado de estabelecer o reino ansiosamente desejado de paz ‘perene’, pois está em condições de criar as grandes unidades dentro das quais um poderoso governo central torna impossíveis outras guerras. Contudo, ela falha quanto a esse propósito, pois os resultados da conquista são geralmente de curta duração: as unidades recentemente criadas esfacelam-se novamente, no mais das vezes devido a uma falta de coesão entre as partes que foram unidas pela violência. Ademais, até hoje as unificações criadas pela conquista, embora de extensão considerável, foram apenas parciais, e os conflitos entre elas ensejaram, mais do que nunca, soluções violentas. O resultado de todos esses esforços bélicos consistiu, assim, apenas em a raça humana haver trocado as numerosas e realmente infindáveis guerras menores por guerras em grande escala, que são raras, contudo muito mais destrutivas.

Se nos voltamos para os nossos próprios tempos, chegamos a mesma conclusão a que o senhor chegou por um caminho mais curto. As guerras somente serão evitadas com certeza, se a humanidade se unir para estabelecer uma autoridade central a que será conferido o direito de arbitrar todos os conflitos de interesses. Nisto estão envolvidos claramente dois requisitos distintos: criar uma instância suprema e dotá-la do necessário poder. Uma sem a outra seria inútil. A Liga das Nações é destinada a ser uma instância dessa espécie, mas a segunda condição não foi preenchida: a Liga das Nações não possui poder próprio, e só pode adquiri-lo se os membros da nova união, os diferentes estados, se dispuserem a cedê-lo. E, no momento, parecem escassas as perspectivas nesse sentido. A instituição da Liga das Nações seria totalmente ininteligível se se ignorasse o fato de que houve uma tentativa corajosa, como raramente (talvez jamais em tal escala) se fez antes. Ela é uma tentativa de fundamentar a autoridade sobre um apelo a determinadas atitudes idealistas da mente (isto é, a influência coercitiva), que de outro modo se baseia na posse da força. Já vimos [[1]] que uma comunidade se mantém unida por duas coisas: a força coercitiva da violência e os vínculos emocionais (identificações é o nome técnico) entre seus membros. Se estiver ausente um dos fatores, é possível que a comunidade se mantenha ainda pelo outro fator. As idéias a que se faz o apelo só podem, naturalmente, ter importância se exprimirem afinidades importantes entre os membros, e pode-se perguntar quanta força essas idéias podem exercer. A história nos ensina que, em certa medida, elas foram eficazes. Por exemplo, a idéia do pan-helenismo, o sentido de ser superior aos bárbaros de além-fronteiras — idéia que foi expressa com tanto vigor no conselho anfictiônico, nos oráculos e nos jogos —, foi forte a ponto de mitigar os costumes guerreiros entre os gregos, embora, é claro, não suficientemente forte para evitar dissensões bélicas entre as diferentes partes da nação grega, ou mesmo para impedir uma cidade ou confederação de cidades de se aliar com o inimigo persa, a fim de obter vantagem contra algum rival. A identidade de sentimentos entre os cristãos, embora fosse poderosa, não conseguiu, à época do Renascimento, impedir os Estados Cristãos, tanto os grandes como os pequenos, de buscar o auxílio do sultão em suas guerras de uns contra os outros. E atualmente não existe idéia alguma que, espera-se, venha a exercer uma autoridade unificadora dessa espécie. Na realidade, é por demais evidente que os ideais nacionais, pelos quais as nações se regem nos dias de hoje, atuam em sentido oposto. Algumas pessoas tendem a profetizar que não será possível pôr um fim à guerra, enquanto a forma comunista de pensar não tenha encontrado aceitação universal. Mas esse objetivo, em todo caso, está muito remoto, atualmente, e talvez só pudesse ser alcançado após as mais terríveis guerras civis. Assim sendo, presentemente, parece estar condenada ao fracasso a tentativa de substituir a força real pela força das idéias. Estaremos fazendo um cálculo errado se desprezarmos o fato de que a lei, originalmente, era força bruta e que, mesmo hoje, não pode prescindir do apoio da violência.

Passo agora, a acrescentar algumas observações aos seus comentários. O senhor expressa surpresa ante o fato de ser tão fácil inflamar nos homens o entusiasmo pela guerra, e insere a suspeita, ver em[[1]], de que neles exige em atividade alguma coisa — um instinto de ódio e de destruição — que coopera com os esforços dos mercadores da guerra. Também nisto apenas posso exprimir meu inteiro acordo. Acreditamos na existência de um instinto dessa natureza, e durante os últimos anos temo-nos ocupado realmente em estudar suas manifestações. Permita-me que me sirva dessa oportunidade para apresentar-lhe uma parte da teoria dos instintos que, depois de muitas tentativas hesitantes e muitas vacilações de opinião, foi formulada pelos que trabalham na área da psicanálise?

De acordo com nossa hipótese, os instintos humanos são de apenas dois tipos: aqueles que tendem a preservar e a unir — que denominamos ‘eróticos’, exatamente no mesmo sentido em que Platão usa a palavra ‘Eros’ em seu Symposium, ou ‘sexuais’, com uma deliberada ampliação da concepção popular de ‘sexualidade’ —; e aqueles que tendem a destruir e matar, os quais agrupamos como instinto agressivo ou destrutivo. Como o senhor vê, isto não é senão uma formulação teórica da universalmente conhecida oposição entre amor e ódio, que talvez possa ter alguma relação básica com a polaridade entre atração e repulsão, que desempenha um papel na sua área de conhecimentos. Entretanto, não devemos ser demasiado apressados em introduzir juízos éticos de bem e de mal. Nenhum desses dois instintos é menos essencial do que o outro; os fenômenos da vida surgem da ação confluente ou mutuamente contrária de ambos. Ora, é como se um instinto de um tipo dificilmente pudesse operar isolado; está sempre acompanhado — ou, como dizemos, amalgamado — por determinada quantidade do outro lado, que modifica o seu objetivo, ou, em determinados casos, possibilita a consecução desse objetivo. Assim, por exemplo, o instinto de autopreservação certamente é de natureza erótica; não obstante, deve ter à sua disposição a agressividade, para atingir seu propósito. Dessa forma, também o instinto de amor, quando dirigido a um objeto, necessita de alguma contribuição do instinto de domínio, para que obtenha a posse desse objeto. A dificuldade de isolar as duas espécies de instinto em suas manifestações reais, é, na verdade, o que até agora nos impedia de reconhecê-los.

Se o senhor quiser acompanhar-me um pouco mais, verá que as ações humanas estão sujeitas a uma outra complicação de natureza diferente. Muito raramente uma ação é obra de um impulso instintual único (que deve estar composto de Eros e destrutividade). A fim de tornar possível uma ação, há que haver, via de regra, uma combinação desses motivos compostos. Isto, há muito tempo, havia sido percebido por um especialista na sua matéria, o professor G. C. Lichtenberg, que ensinava física em Göttingen, durante o nosso classicismo, embora, talvez, ele fosse ainda mais notável como psicólogo do que como físico. Ele inventou uma ‘bússola de motivos’, pois escreveu: ‘Os motivos que nos levam a fazer algo poderiam ser dispostos à maneira da rosa-dos-ventos e receber nomes de uma forma parecida: por exemplo, “pão — pão — fama” ou “fama — fama — pão”.’ De forma que, quando os seres humanos são incitados à guerra, podem ter toda uma gama de motivos para se deixarem levar — uns nobres, outros vis, alguns francamente declarados, outros jamais mencionados. Não há por que enumerá-los todos. Entre eles está certamente o desejo da agressão e destruição: as incontáveis crueldades que encontramos na história e em nossa vida de todos os dias atestam a sua existência e a sua força. A satisfação desses impulsos destrutivos naturalmente é facilitada por sua mistura com outros motivos de natureza erótica e idealista. Quando lemos sobre as atrocidades do passado, amiúde é como se os motivos idealistas servissem apenas de escusa para os desejos destrutivos; e, às vezes — por exemplo, no caso das crueldades da Inquisição — é como se os motivos idealistas tivessem assomado a um primeiro plano na consciência, enquanto os destrutivos lhes emprestassem um reforço inconsciente. Ambos podem ser verdadeiros.

Receio que eu possa estar abusando do seu interesse, que, afinal, se volta para a prevenção da guerra e não para nossas teorias. Gostaria, não obstante, de deter-me um pouco mais em nosso instinto destrutivo, cuja popularidade não é de modo algum igual à sua importância. Como conseqüência de um pouco de especulação, pudemos supor que esse instinto está em atividade em toda criatura viva e procura levá-la ao aniquilamento, reduzir a vida à condição original de matéria inanimada. Portanto, merece, com toda seriedade, ser denominado instinto de morte, ao passo que os instintos eróticos representam o esforço de viver. O instinto de morte torna-se instinto destrutivo quando, com o auxílio de órgãos especiais, é dirigido para fora, para objetos. O organismo preserva sua própria vida, por assim dizer, destruindo uma vida alheia. Uma parte do instinto de morte, contudo, continua atuante dentro do organismo, e temos procurado atribuir numerosos fenômenos normais e patológicos a essa internalização do instinto de destruição. Foi-nos até mesmo imputada a culpa pela heresia de atribuir a origem da consciência a esse desvio da agressividade para dentro. O senhor perceberá que não é absolutamente irrelevante se esse processo vai longe demais: é positivamente insano. Por outro lado, se essas forças se voltam para a destruição no mundo externo, o organismo se aliviará e o efeito deve ser benéfico. Isto serviria de justificação biológica para todos os impulsos condenáveis e perigosos contra os quais lutamos. Deve-se admitir que eles se situam mais perto da Natureza do que a nossa resistência, para a qual também é necessário encontrar uma explicação. Talvez ao senhor possa parecer serem nossas teorias uma espécie de mitologia e, no presente caso, mitologia nada agradável. Todas as ciências, porém, não chegam, afinal, a uma espécie de mitologia como esta? Não se pode dizer o mesmo, atualmente, a respeito da sua física?

Para nosso propósito imediato, portanto, isto é tudo o que resulta daquilo que ficou dito: de nada vale tentar eliminar as inclinações agressivas dos homens. Segundo se nos conta, em determinadas regiões privilegiadas da Terra, onde a natureza provê em abundância tudo o que é necessário ao homem, existem povos cuja vida transcorre em meio à tranqüilidade, povos que não conhecem nem a coerção nem a agressão. Dificilmente posso acreditar nisso, e me agradaria saber mais a respeito de coisas tão afortunadas. Também os bolchevistas esperam ser capazes de fazer a agressividade humana desaparecer mediante a garantia de satisfação de todas as necessidades materiais e o estabelecimento da igualdade, em outros aspectos, entre todos os membros da comunidade. Isto, na minha opinião, é uma ilusão. Eles próprios, hoje em dia, estão armados da maneira mais cautelosa, e o método não menos importante que empregam para manter juntos os seus adeptos é o ódio contra qualquer pessoa além das suas fronteiras. Em todo caso, como o senhor mesmo observou, não há maneira de eliminar totalmente os impulsos agressivos do homem; pode-se tentar desviá-los num grau tal que não necessitem encontrar expressão na guerra.

Nossa teoria mitológica dos instintos facilita-nos encontrar a fórmula para métodos indiretos de combater a guerra. Se o desejo de aderir à guerra é um efeito do instinto destrutivo, a recomendação mais evidente será contrapor-lhe o seu antagonista, Eros. Tudo o que favorece o estreitamento dos vínculos emocionais entre os homens deve atuar contra a guerra. Esses vínculos podem ser de dois tipos. Em primeiro lugar, podem ser relações semelhantes àquelas relativas a um objeto amado, embora não tenham uma finalidade sexual. A psicanálise não tem motivo porque se envergonhar se nesse ponto fala de amor, pois a própria religião emprega as mesmas palavras: ‘Ama a teu próximo como a ti mesmo.’ Isto, todavia, é mais facilmente dito do que praticado. O segundo vínculo emocional é o que utiliza a identificação. Tudo o que leva os homens a compartilhar de interesses importantes produz essa comunhão de sentimento, essas identificações. E a estrutura da sociedade humana se baseia nelas, em grande escala.

Uma queixa que o senhor formulou acerca do abuso de autoridade,ver em [[1]] leva-me a uma outra sugestão para o combate indireto à propensão à guerra. Um exemplo da desigualdade inata e irremovível dos homens é sua tendência a se classificarem em dois tipos, o dos líderes e o dos seguidores. Esses últimos constituem a vasta maioria; têm necessidade de uma autoridade que tome decisões por eles e à qual, na sua maioria devotam uma submissão ilimitada. Isto sugere que se deva dar mais atenção, do que até hoje se tem dado, à educação da camada superior dos homens dotados de mentalidade independente, não passível de intimidação e desejosa de manter-se fiel à verdade, cuja preocupação seja a de dirigir as massas dependentes. É desnecessário dizer que as usurpações cometidas pelo poder executivo do Estado e a proibição estabelecida pela Igreja contra a liberdade de pensamento não são nada favoráveis à formação de uma classe desse tipo. A situação ideal, naturalmente, seria a comunidade humana que tivesse subordinado sua vida instintual ao domínio da razão. Nada mais poderia unir os homens de forma tão completa e firme, ainda que entre eles não houvesse vínculos emocionais. No entanto, com toda a probabilidade isto é uma expectativa utópica. Não há dúvida de que os outros métodos indiretos de evitar a guerra são mais exeqüíveis, embora não prometam êxito imediato. Vale lembrar aquela imagem inquietante do moinho que mói tão devagar, que as pessoas podem morrer de fome antes de ele poder fornecer sua farinha.

O resultado, como o senhor vê, não é muito frutífero quando um teórico desinteressado é chamado a opinar sobre um problema prático urgente. É melhor a pessoa, em qualquer caso especial, dedicar-se a enfrentar o perigo com todos os meios à mão. Eu gostaria, porém, de discutir mais uma questão que o senhor não menciona em sua carta, a qual me interessa em especial. Por que o senhor, eu e tantas outras pessoas nos revoltamos tão violentamente contra a guerra? Por que não a aceitamos como mais uma das muitas calamidades da vida? Afinal, parece ser coisa muito natural, parece ter uma base biológica e ser dificilmente evitável na prática. Não há motivo para se surpreender com o fato de eu levantar essa questão. Para o propósito de uma investigação como esta, poder-se-ia, talvez, permitir-se usar uma máscara de suposto alheamento. A resposta à minha pergunta será a de que reagimos à guerra dessa maneira, porque toda pessoa tem o direito à sua própria vida, porque a guerra põe um término a vidas plenas de esperanças, porque conduz os homens individualmente a situações humilhantes, porque os compele, contra a sua vontade, a matar outros homens e porque destrói objetos materiais preciosos, produzidos pelo trabalho da humanidade. Outras razões mais poderiam ser apresentadas, como a de que, na sua forma atual, a guerra já não é mais uma oportunidade de atingir os velhos ideais de heroísmo, e a de que, devido ao aperfeiçoamento dos instrumentos de destruição, uma guerra futura poderia envolver o extermínio de um dos antagonistas ou, quem sabe, de ambos. Tudo isso é verdadeiro, e tão incontestavelmente verdadeiro, que não se pode senão sentir perplexidade ante o fato de a guerra ainda não ter sido unanimemente repudiada. Sem dúvida, é possível o debate em torno de alguns desses pontos. Pode-se indagar se uma comunidade não deveria ter o direito de dispor da vida dos indivíduos; nem toda guerra é passível de condenação em igual medida; de vez que existem países e nações que estão preparados para a destruição impiedosa de outros, esses outros devem ser armados para a guerra. Mas não me deterei em nenhum desses aspectos; não constituem aquilo que o senhor deseja examinar comigo, e tenho em mente algo diverso. Penso que a principal razão por que nos rebelamos contra a guerra é que não podemos fazer outra coisa. Somos pacifistas porque somos obrigados a sê-lo, por motivos orgânicos, básicos. E sendo assim, temos dificuldade em encontrar argumentos que justifiquem nossa atitude.

Sem dúvida, isto exige alguma explicação. Creio que se trata do seguinte. Durante períodos de tempo incalculáveis, a humanidade tem passado por um processo de evolução cultural. (Sei que alguns preferem empregar o termo ‘civilização’). É a esse processo que devemos o melhor daquilo em que nos tornamos, bem como uma boa parte daquilo de que padecemos. Embora suas causas e seus começos sejam obscuros e incerto o seu resultado, algumas de suas características são de fácil percepção. Talvez esse processo esteja levando à extinção a raça humana, pois em mais de um sentido ele prejudica a função sexual; povos incultos e camadas atrasadas da população já se multiplicam mais rapidamente do que as camadas superiormente instruídas. Talvez se possa comparar o processo à domesticação de determinadas espécies animais, e ele se acompanha, indubitavelmente, de modificações físicas; mas ainda não nos familiarizamos com a idéia de que a evolução da civilização é um processo orgânico dessa ordem. As modificações psíquicas que acompanham o processo de civilização são notórias e inequívocas. Consistem num progressivo deslocamento dos fins instintuais e numa limitação imposta aos impulsos instintuais. Sensações que para os nossos ancestrais eram agradáveis, tornaram-se indiferentes ou até mesmo intoleráveis para nós; há motivos orgânicos para as modificações em nossos ideais éticos e estéticos. Dentre as características psicológicas da civilização, duas aparecem como as mais importantes: o fortalecimento do intelecto, que está começando a governar a vida instintual, e a internalização dos impulsos agressivos com todas as suas conseqüentes vantagens e perigos. Ora, a guerra se constitui na mais óbvia oposição à atitude psíquica que nos foi incutida pelo processo de civilização, e por esse motivo não podemos evitar de nos rebelar contra ela; simplesmente não podemos mais nos conformar com ela. Isto não é apenas um repúdio intelectual e emocional; nós, os pacifistas, temos uma intolerância constitucional à guerra, digamos, uma idiossincrasia exacerbada no mais alto grau. Realmente, parece que o rebaixamento dos padrões estéticos na guerra desempenha um papel dificilmente menor em nossa revolta do que as suas crueldades.

E quanto tempo teremos de esperar até que o restante da humanidade também se torne pacifista? Não há como dizê-lo. Mas pode não ser utópico esperar que esses dois fatores, a atitude cultural e o justificado medo das conseqüências de uma guerra futura, venham a resultar, dentro de um tempo previsível, em que se ponha um término à ameaça de guerra. Por quais caminhos ou por que atalhos isto se realizará, não podemos adivinhar. Mas uma coisa podemos dizer: tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultaneamente contra a guerra.

Espero que o senhor me perdoe se o que eu disse o desapontou, e com a expressão de toda estima, subscrevo-me,

Cordialmente,

SIGM. FREUD

Cuidado…tem nazista se fazendo de bonzinho!


Ler esse texto não foi exatamente uma surpresa, já que andam circulando por aí vídeos “super meigos” do Hitler com seus bichinhos de estimação…outros vídeos dizendo que ele era vegetariano e que se preocupava com o meio ambiente…como se isso fizesse alguma diferença no modo daquele ditador dos infernos lidar com seres humanos! Esse tipo de vídeo só mostra que até uma das pessoas mais crueis da História tinha respeito pelos animais…o que coloca as pessoas que os tratam cruelmente muito abaixo até da barbárie totalitária mais atroz!  

Extrema direita da Alemanha apela para ambientalismo para ganhar popularidade

Jornais Internacionais - Der Spiegel

Christian Pfaffinger

Os ambientalistas são geralmente associados à esquerda política. Mas agora neonazistas também descobriram os charmes da natureza. Além de vender hortaliças e legumes orgânicos e publicar uma revista sobre o meio ambiente, o partido ultradireitista alemão NPD (Partido Nacional Democrata da Alemanha) está fazendo uso de tópicos que integram a campanha dos verdes. Membros do partido usam isso como uma maneira duvidosa de fazer com que o NPD se torne mais socialmente aceitável.

Jens Lütke opõe-se à engenharia genética e à ampliação de rodovias. Ele também protesta contra a construção de novas usinas de geração de energia e trabalha como voluntário uma vez por ano durante um dia de ação ambiental. “Muitas vezes me perguntam se eu sou membro do Partido Verde”, diz ele. Mas Lütke não apoia o partido ambientalista, e sim o ultradireitista Partido Nacional Democrata da Alemanha (em alemão, Nationaldemokratische Partei Deutschlands, ou NPD). Ele é o principal candidato do partido ao parlamento estadual nas eleições no Estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, que ocorrerá em maio próximo.

Quando Lütke coleta lixo como voluntário no dia de ação ambiental é difícil determinar a que partido ele pertence. “Nós não portamos faixas do NPD ao participarmos”, explica ele. Lütke não é o único do seu partido a atuar na defesa do meio ambiente. O partido usa frequentemente a questão ambiental como uma tentativa insidiosa de tornar-se mais palatável para a sociedade alemã. Muitas vezes é difícil reconhecer as ideologias extremistas de direita que estão por trás dessas iniciativas.

A tática é visível em uma revista de questões ambientais publicada por extremistas de direita, e cujo título é “Umwelt & Aktiv” (“Meio Ambiente e Ativo”). A publicação parece ser uma revista normal focada no meio ambiente – pelo menos à primeira vista. E, embora os artigos da publicação sobre biocombustíveis, engenharia genética, dicas para jardinagem e músicas infantis pareçam ser legítimos, uma análise mais atenta revela que ela traz também páginas dedicadas a mitos germânicos e ritos pagãos. Em uma matéria com o título “Segurança da Pátria” os leitores da edição de março do ano passado são avisados de que o povo alemão perecerá biológica e espiritualmente caso tiver filhos com indivíduos de outras origens étnicas.

Esta suposta revista ambiental também alimenta o ódio religioso, ao alegar que o abate de animais sem anestesia é um costume bárbaro de judeus e muçulmanos. “Dessa maneira, todos os imigrantes sentir-se-ão em casa”, diz a edição de janeiro de 2007, “e outros costumes baseados em religião, como a mutilação genital, o apedrejamento e a amputação das mãos poderão ser importados para o nosso país”.

Política oficial

Embora a editoria da revista se descreva como sendo “politicamente independente”, esse tipo de propaganda brutal de extrema direita surge frequentemente na publicação. E um exame mais detalhado dos nomes de indivíduos e instituições que produzem a “Umwelt & Aktiv” revela como essa alegação é duvidosa. O expediente da revista inclui a associação Midgard e.V., que, segundo o tribunal municipal da cidade de Landshut, no sul da Alemanha, possui vínculos com o NPD. Também faz parte do expediente o editor Christoph Hofer, que já ocupou dois cargos oficiais no NPD na Baviera. Além disso, há a secretária e editora chefe da revista Berthild Haese, cujo marido, Peter Haese, foi diretor do diretório do NPD na Baixa Baviera e que disputa regularmente eleições como candidato pelo partido, das quais a mais recente foi a eleição parlamentar federal de 2009.

A editoria da revista também é conhecida por comunicar-se internamente utilizando endereços eletrônicos do NPD, segundo documentos publicados pelo website antinazista Nazi-Leaks. Entre os colunistas da publicação estão apoiadores e membros do partido, e a revisa traz propagandas que são utilizadas para vender livros da editora do NPD, a Deutsche Stimme (“Voz Alemã”), com títulos como “Raça, Evolução e Comportamento”. Além disso, certas passagens da primeira edição, de 2007, são cópias quase que literais das próprias plataformas do NPD. Um trecho diz: “As paisagens ambientais alemãs são cenários culturais. Portanto, a proteção ambiental não pode ser abordada separadamente do desenvolvimento cultural”. Essa é a primeira linha do documento que traz a política ambiental do NPD.

Direitistas amantes da natureza

A Baviera, onde fica a redação da “Umwelt & Aktiv”, é o foco central da iniciativa ambiental da extrema direita, mas outros Estados também contam com “nazistas verdes”. O NPD é especialmente ativo quanto às questões ambientais no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Já em 2007, um fazendeiro e membro do NPD atraiu a atenção da imprensa com uma campanha contra a engenharia genética. E Udo Pastörs, um membro do parlamento estadual e vice-líder do partido nacional, é conhecido pelas suas iniciativas conservacionistas.

Mesmo fora do partido existem ambientalistas extremistas de direita no Estado do norte, perto de Güstrow e Teterow. Desde a década de noventa, agricultores seguem a tradição da Liga Artaman, um movimento agrário surgido na década de vinte que professa uma ideologia do tipo “sangue e solo” e que possuía fortes vínculos com o partido nazista. Esses indivíduos têm se espalhado por outras áreas, segundo um especialista da organização do Estado que faz críticas ao NPD, o Arbeitsgemeinschaft Völkische Siedler (“Grupo de Trabalho para Colonos Raciais”). A maioria deles exerce um papel ativo na vida das comunidades, envolvendo-se com escolas e instalações para cuidados infantis, segundo o especialista, que pediu que o seu nome não fosse divulgado neste artigo. E muitos deles produzem e vendem produtos orgânicos.

Um tópico de campanha

Há muito tempo o NPD adotou questões ambientais na sua tentativa de obter apoio eleitoral. O partido já recorria a essa tática no seu “Programa de Düsseldorf”, de 1973, que descrevia a proteção ambiental como sendo um fator de contribuição para a saúde pública. Mas foi apenas com a profissionalização do partido nos últimos anos que essa questão foi lançada na linha de frente.

Na sua atual plataforma partidária, o NPD rejeita tanto a engenharia genética quanto a pecuária em escala industrial, além de defender maiores gastos governamentais com fontes de energia alternativa e autossuficiência nacional em produtos agrícolas. O NPD também afirma que os agricultores precisam de mais apoio.

No Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o NPD também imprimiu pôsteres com a inscrição “Umweltschutz = Heimatschutz” (“Proteção Ambiental = Proteção da Pátria”). E Jens Lütke também pretende utilizar os temas ambientais como um dos seus principais tópicos de campanha como candidato do NPD ao parlamento estadual de Schleswig-Holstein, ainda que a sua principal crítica seja ao euro. “Nós não queremos deixar os tópicos verdes a cargo do Partido Verde”, explica ele.

A “Umwelt & Aktiv” resume a sua abordagem na última página da sua primeira edição, publicada no início de 2007. “A proteção ambiental não é verde”, diz o artigo.

Tradutor: Do UOL

A estupidez humana…e seus efeitos nefastos (3)


Exatamente uma semana atrás comemorou-se o dia das mulheres…puxa, quanta coisa a se comemorar…

Suicídio de jovem forçada a casar com seu estuprador causa protestos

Ativistas marroquinos intensificaram a pressão para derrubar a lei que permite que estupradores casem com suas vítimas depois que uma menina de 16 anos cometeu suicídio. Amina Al Filali usou veneno de rato para tirar a própria vida após ficar casada por cinco meses com o homem que a violentou e que, desde a união permanente, a agredia fisicamente.

Uma petição online e uma manifestação prevista para este sábado (17) tratam da lei como “constrangedora” para o país. Os ativistas querem a suspensão do Artigo 475 da lei local que permite que estupradores escapem da prisão se eles aceitarem “restaurar as virtudes” da vítima – ou seja, se se casarem com ela.

Estuprada aos 15 anos, Amina foi obrigada a se casar com seu estuprador com apoio de um juiz. Pela lei do Marrocos, o crime de estupro é punido com 10 anos de prisão, chegando a 20 se a vítima for menor de idade.

“O artigo 475 é constrangedor para a imagem internacional de modernidade e democracia no Marrocos”, disse à BBC Fouzia Assouli, presidente da Liga Democrática do Marrocos para os Direitos da Mulher. “No Marrocos, a lei protege a moralidade pública, mas não o indivíduo”, acrescentou Assouli.

Ela afirma ainda que legislação proibindo todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo estupro dentro do casamento, está para ser implementada desde 2006.

Deserdada

A jornalista da BBC em Rabat, Nora Fakim, diz que em partes conservadoras do Marrocos é inaceitável para uma mulher perder a virgindade antes do casamento –e a desonra é dela e de sua família, mesmo que ela seja vitima de estupro. Amina veio da pequena cidade de Larache, perto de Tânger, ao norte do país.

A idade legal do casamento em Marrocos é de 18 anos, salvo se houver “circunstâncias especiais” –que é a razão pela qual Amina era casada, apesar de ser menor de idade.

A imprensa local diz que a menina queixou-se a sua família sobre maus tratos, mas acabou deserdada, o que teria provocado o suicídio.

Testemunhas afirmam que o marido ficou tão indignado quando Amina tomou o veneno que a arrastou pelos cabelos pela rua –e ela morreu pouco depois.

Ativistas estão pedindo que o juiz que permitiu o casamento e o estuprador sejam presos.

Estudo governamental realizado no último ano dá conta de que cerca de um quarto das marroquinas sofreram ataques de ordem sexual ao menos uma vez durante suas vidas.

Menina morre de sangramento interno depois de casamento forçado no Iêmen, diz ONG

Uma menina iemenita de 13 anos de idade morreu de hemorragia interna três dias depois de ter sido obrigada a casar, informaram grupos de defesa dos direitos humanos do Iêmen. Segundo agências de notícias, o sangramento teria ocorrido depois de uma relação sexual. O caso ocorre em meio ao debate sobre a determinação de uma idade mínima para que as meninas se casem no Iêmen, onde mais de um quarto delas se casam com menos de 15 anos de idade. Uma lei de 2009 determinou a idade mínima como 17 anos, mas foi rejeitada depois que alguns legisladores afirmaram que ela é anti-islâmica. Uma decisão final deverá ser tomada ainda neste mês. As autoridades do Iêmen não confirmaram a morte. A menina, que teria se casado com um homem na faixa dos 20 anos de idade, morreu no oeste do país, na semana passada, segundo o grupo de defesa dos direitos humanos Fórum das Irmãs Árabes (SAF, na sigla em inglês). Em uma declaração obtida pela agência de notícias Reuters, a diretora regional do Unicef, Sigrid Kaag, disse que a agência da ONU está “horrorizada com a morte de mais uma menina noiva no Iêmen”. Grupos de defesa dos direitos humanos vêm pressionando as autoridades para proibir o casamento de crianças arranjado pelas famílias no Iêmen, que tem uma estrutura social tribal.

Estupros grupais contra meninas chocam delegada

Dois casos de estupro grupal cometidos por adolescentes contra meninas de 12 e 13 anos registrados em menos de uma semana pela Polícia Civil de Sorocaba, a 107 km de São Paulo, chamam a atenção da sociedade, mas também de pessoas que convivem rotineiramente em seus trabalhos com os mais diversos crimes, como a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Sorocaba (DDM), Jaqueline Coutinho.

No primeiro caso, que teria ocorrido em dezembro, mas denunciado apenas na última semana, uma menina de 12 anos foi estuprada por cinco adolescentes – todos estudantes da mesma escola, e teve o abuso filmado e postado na internet. Já no segundo, uma garota de 13 anos marcou o encontro com um rapaz através da internet e foi arrastada para um terreno baldio, onde foi abusada sexualmente pelo adolescente e mais cinco amigos dele.

Apesar das semelhanças dos crimes, a delegada da DDM não acredita que um tenha motivado o outro. “Não há ligações entre eles. São dois casos isolados, com autores diferentes. Um teria sido cometido através de ameaças, já no outro, pelo que soube, houve violência física”, explica.

Jaqueline Coutinho revela que ficou impressionada com as agressões sexuais cometidas contra as duas meninas na cidade. “Acho um absurdo, fico impressionada. Nos dois casos houve co-autoria, ou seja, mais de um jovem cometendo o mesmo crime. O que salta aos olhos é que foram meninas, de 12 e no outro de 13 anos, contra cinco ou seis adolescentes. Existe a agressão física, mas a psicológica é ainda muito maior”, destaca.

Ela compara as duas situações ocorridas com casos de crimes sexuais cometidos por adultos e demonstra preocupação. “Pensando nesse tipo de crime, quando cometido por adulto, é muito raro que aconteça desta maneira, com mais de um autor. Agora, com esses menores, mais do que o instinto sexual, parece que pesa a irresponsabilidade, como se realizassem esses abusos como se fosse uma brincadeira”, lamenta Jaqueline.

Para a delegada, a estrutura da sociedade atualmente tem responsabilidade no que está acontecendo. “Acho que a base de tudo é o atual cenário da sociedade. Os adolescentes estão cada vez mais precoces sexualmente, a educação é descomprometida e são pais que não se preocupam em impor limites. Os jovens vivem nessa rotina de libertinagem, como se vivenciar tudo isso fosse natural. Esse exercício de relações sexuais, tão novos, é considerado por eles como normal”, desabafa.

Um levantamento realizado pela Delegacia da Defesa da Mulher de Sorocaba contabilizando apenas o mês de fevereiro deste ano aponta que, em média, foi registrada uma ocorrência de estupro por dia. “O número é alto, apenas no mês de fevereiro, foram registrados 27 casos de estupro em Sorocaba. E esse número é baseado nas pessoas que nos procuraram e registraram o crime. Podem existir casos que as mulheres não deram queixa”, conta a delegada.

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Parentes de mulheres violentadas e mortas na Paraíba fazem protesto um mês após o crime

Parentes das vítimas do estupro coletivo ocorrido em fevereiro deste ano, durante uma festa de aniversário em Queimadas (PB), realizam nesta segunda-feira (12) um protesto pelas ruas da cidade pedindo justiça e paz. Hoje o crime completa um mês. Em Queimadas, município a 140 quilômetros de João Pessoa, o clima ainda é de tristeza e revolta.

No domingo, os parentes pediram proteção para a realização do protesto. Segundo informações recebidas pela polícia, pessoas ligadas aos acusados dos crimes estariam fazendo ameaças para impedir a manifestação. Nesse domingo (11), uma missa foi realizada em memória da recepcionista Michele Domingos, 29, e da professora Isabela Frazão, 27. Elas foram mortas por terem reconhecido os acusados durante o estupro.

Na semana passada, a Justiça determinou o sequestro de parte dos bens de dois dos dez acusados de envolvimento na tragédia. Os irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira terão confiscados dois cavalos de raça, duas motos, dois capacetes, um automóvel Punto ELX e um Hyundai i30. A soma dos bens ultrapassa R$ 200 mil.

Eles serão leiloados, e o dinheiro arrecadado será depositado em uma conta poupança até que o processo seja concluído. A Justiça atendeu ao pedido da família da recepcionista, que era responsável pelo sustento financeiro da casa.

O caso

Além de Michele e Isabela, outras três mulheres foram estupradas. Elas participavam da festa de aniversário de Luciano. Em determinado momento, um grupo (incluindo três adolescentes) invadiu a casa e estuprou as mulheres, poupando apenas as namoradas dos acusados.

Durante a violência sexual, Michele e Isabela reconheceram os criminosos, o que resultou na morte das jovens, as quais foram levadas pelo grupo e assassinadas em via pública.

Como se fossem vítimas, quatro dos acusados procuraram a polícia e disseram que a casa tinha sido invadida por um grupo, que também violentou e matou as mulheres. No entanto, horas depois a polícia desvendou o crime e prendeu sete homens e apreendeu três adolescentes acusados de envolvimento.

Segundo a polícia, o estupro coletivo foi premeditado. Luciano e Eduardo foram presos no velório das vítimas. Eduardo, a propósito, era ex-cunhado da professora Isabela.

No último dia 28, a Justiça recebeu a denúncia apresentada contra o grupo, acusado de estupro, formação de quadrilha, porte ilegal de arma, cárcere privado e lesão corporal. Um dos acusados foi denunciado por todos esses crimes e homicídio doloso, quando há intenção de matar. Ele seria o responsável pelos disparos que mataram a professora e a recepcionista.

Young Woman Raped, Burned, Left for Dead Improving, Doctors Say

The condition of a young woman who was gang-raped, burned and left for dead in a Mykolayiv, Ukraine, construction-site ditch seems to be improving after she was put in an induced coma and moved to a new hospital, doctors say.

The incident, which occurred earlier this month, shocked Ukraine, sparking protests across the country about the way police and prosecutors handled the case. Members of parliament have called for Ukraine to institute the death penalty for the three accused men, and one suggested that the alleged rapists be castrated.

Oksana Makar, 18, said that on March 9, she was invited by two young men, ages 21 and 23, to their friend’s apartment, where the three men allegedly gang-raped her, tried to choke her to death, wrapped her in a sheet, took her to a construction site, dumped her in a pit and set her on fire, according to theKyiv Post.

The next day a man heard moaning coming from the construction site. He saw something moving under a charred sheet, and found Makar barely alive. He called the police, and Makar was rushed to the hospital. Fifty-five percent of her skin is gone, her kidneys were completely burned, and one of her arms and both her feet had to be amputated, according to the Kyiv Post.

She regained consciousness after surgery, but on Friday doctors induced a coma and moved her from a hospital in Mykolayiv to a burn treatment center in Donetsk. Doctors there told the Kviv Post today her condition has stabilized, but her outlook is still uncertain.

After undergoing surgery, Makar recounted what she could remember to the police. The suspects were arrested that day, but two of them were released soon after. A spokeswoman for the Mykolayiv prosecutor’s office said local officials did not have enough evidence to hold them, according to the Kyiv Post, so they were classified as witnesses. The third man, who is 23, was named a suspect.

No one from the prosecutor’s office questioned Makar, saying that she was not conscious, despite the fact that her mother insisted she was awake and able to talk, according to the Kyiv Post.

The young woman gave an interview to Gazeta.ua, in which she discussed the attack and how investigators from the prosecutor’s office finally came to talk to her.

“I remember the bar and how we went to visit. Then I lost consciousness,” In an interview with Gazeta.ua, Makar said. “There was a gap…I remember when I was choked. And when I regained consciousness, I remember myself lying during the night. I thought I would not survive. I could not feel my body. At first, I was screaming for help. But there was nobody there, I began to pray. I thought I had died. I remember it all as if in a fog.”

After Ukraine’s chief police officer, Vitaly Zakharchenko confirmed reports that the two men who were released are the sons of former government officials and a video of one of the suspects calmly describing the attack was posted to YouTube, where it was viewed 100,000 times in the first day, there were protests across the country.

The public outcry reached Ukrainian President Viktor Yanukovych, who ordered General Prosecutor Viktor Pshonka to take charge of the case. On March 13, the two men were arrested, and all three suspects are charged with attempted murder.

The women’s rights group Femen, who stage topless protests against prostitution and sex trafficking, organized a demonstration in front of the General Prosecutors Office of Ukraine in the capital, Kyiv. They chanted “Death to the Sadists!” and “Execute the bastards!”

“If everyone keeps silent, then these men will be free,” said said Inna Shevcenko, one of the participants in the protest.

The Femen activists plan to stage a topless protest in next week in Mykolayiv.

Click here to view photographs of Femen protesters.

“My child has survived. And this is important. Everybody counted on her dying. And that she wouldn’t give evidence. But she survived,” Makar’s mother, Tetyana Surovitska, said in an interview with Gazeta.ua.

“My daughter is only 18. She hasn’t done anything in her life and has already lost everything,” Surovitska told the Kyiv Post. “Now my main aim is to make sure the bastards that hurt her are punished.”

doctors say her condition has stabilized but remains serious. It is still too early to say if she will live, as the young woman is not able to breathe on her own yet.

Mother of one of the suspects who confessed his guilt has recently tried to commit suicide, but was stopped by her other son. The woman believes her son is guilty andwouldn’t leave her house.

Another suspect’s mother has had heart attack after participating in Russian TV-show, talking about the case.

Read more: http://www.kyivpost.com/news/nation/detail/124483/#ixzz1pVSYasNt

Pensamento avulso 7


Olho para o trânsito da metrópole – não vejo veículos motorizados, e sim cavalos na rua. Não evoluímos. Cada vez mais impossível andar – seja de carro ou ônibus, seja à pé – em meio à cavalaria…

A estupidez humana…e seus efeitos nefastos (3)


Nossa, o noticiário ultimamente está digno de um Notícias Populares, aaaffff… 😦

“Uma mulher foi esquartejada e queimada dentro de forno de uma pizzaria, no bairro Barbado, em Cuiabá (MT). A perícia encontrou parte de um brinco, uma corrente feminina e o pedaço de um dedo, com um anel, o que aponta a possibilidade de a vítima ser do sexo feminino.

Além dos pertences, a Polícia Civil soube que o principal suspeito do crime confessou ao pai, que é dono da pizzaria, ter cortado a mulher em três partes, a colocado dentro da fornalha e ateado fogo na lenha.

O crime teria ocorrido por volta das 5h, quando vizinhos à pizzaria Fornalha, na avenida General Mello, região central de Cuiabá, viram o rapaz entrando no local com uma mulher. Cerca de uma hora e meia depois, Weber foi visto saindo do estabelecimento com as roupas sujas de sangue. A PM foi avisada.

Neste meio tempo, vizinhos viram o pai do suposto assassino, que é conhecido apenas por “Chico” entrar na pizzaria e sair, logo em seguida. O comerciante disse que não havia encontrado nenhum corpo dentro do estabelecimento, mas na cozinha havia muito sangue.

A Polícia Militar chegou e isolou o local para o trabalho da Perícia Técnica. Por volta das 10h, eles anunciaram que haviam encontrado um crânio humano, metade carbonizado. Segundo peritos, a identificação oficial da vítima será feita por exames no crânio e também quando o suspeito for preso e indicar quem ele teria assassinado.

O pai do suspeito foi à DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) por volta das 17 horas. O delegado André Renato Gonçalves foi informado por “Chico”, ainda no local do crime, que o suspeito havia feito uma ligação e confessou o crime, no entanto, não deu detalhes à respeito do nome da vitima e desligou o celular. “Chico” havia acabado de chegar a Cuiabá, já que tinha ido ao velório de sua madrasta no município de Paranatinga (a 320 km de Cuiabá).”

A estupidez humana…e seus efeitos nefastos (2)


Uma briga generalizada entre torcedores de dois clubes rivais no Egito assustou o mundo do futebol nesta quarta-feira. O confronto campal e nas arquibancas entre fãs do Al-Masri e Al-Ahli resultou em 74 mortes e 188 feridos. A informação é atualizada a todo momento pelo governo egípcio, por meio da tv estatal.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou que esta quarta-feira é um “dia negro” para o futebol. “Estou atordoado e lamento muito saber que, nesta noite, um grande número de torcedores de futebol morreu em uma partida no Egito”, comentou.

O prefeito de Port Said, El-Amiry, disse que as mortes foram causadas pelo tumulto e por sufocamentos. Um médico de um necrotério da cidade disse que alguns dos mortos eram agentes de segurança. O vice-ministro da Saúde, Hesham Sheiha, já decretou: “É o maior desastre da história do futebol do Egito”.

FEDERAÇÃO SUSPENDE CAMPEONATO EGÍPCIO

A Federação Egípcia de Futebol decidiu suspender o campeonato nacional por tempo indeterminado após as mortes ocorridas na partida entre Al-Masri e Al-Ahli, nesta quarta-feira. O presidente da entidade, Samir Zaher, anunciou o cancelamento e pediu “uma investigação urgente dos acontecimentos por um comitê de investigação para mostrar a verdade ao público”.

As declarações sobre o evento impressionam. O jogador egípcio Mohamed Abou-Treika relatou as cenas fortes e criticou as autoridades locais.

“As forças de segurança não nos protegeram. Um fã acaba de morrer no vestiário diante de mim. É culpa nossa, porque jogamos esse jogo. As autoridades estão com medo de cancelar o campeonato porque só se preocupam com dinheiro, não importa a vida das pessoas”, disse.

O confronto começou quando um torcedor levantou uma faixa insultando os rivais no segundo tempo. Após o apito final quando os torcedores do Al Masry, que venceu o jogo por 3 a 1, invadiram o campo para agredir os jogadores e a comissão técnica do Al Ahly. Os vândalos começaram a jogar pedras, fogos de artifício e garrafas sobre os rivais.

Muitos dos presentes apontaram completa falta de segurança e ausência de policiais no local. Outras testemunhas disseram que os policiais permitiram a entrada de torcedores do Marsy no espaço reservado aos fãs do Ahly nas arquibancadas.

O chefe do Conselho Supremo de decisão das Forças Armadas, Hussein Tantawi, enviou dois aviões militares para transferir os feridos junto com o pessoal técnico da equipe Ahly para Cairo. Até a noite desta quarta-feira, 47 pessoas haviam sido detidas em função dos episódios de violência.

A televisão estatal do Egito anunciou que os parlamentares irão se reunir em regime de urgência para tratar da violência em Port Said

Outra confusão aconteceu em em um estádio de futebol em Cairo. Os torcedores atearam fogo dentro do estádio do Cairo durante o duelo entre Zamalek e Ismaili. O jogo foi suspenso a pedido das equipes.

OUTRAS TRAGÉDIAS NO FUTEBOL

Ano Tragédia
1964 Peru e Argentina se enfrentaram em Lima (PER) no Torneio Pré-Olímpico. Os visitantes ganhavam por 1 a 0, e o juiz anulou um gol legítimo do time local, revoltando os 54 mil torcedores, que passaram a atirar pedras e garrafas no campo, além de invadir o gramado. Mais de 120 morreram e outros 90 ficaram feridos na confusão.
1968 No clássico argentino entre River Plate e Boca Juniors, a torcida causou um incêndio ao botar fogo em uma pilha de papel. O fogo afastou os torcedores, que correram e se tumultuaram a saída. 74 morreram e cerca de 150 se feriram.
1989 No jogo entre Nottingham e Liverpool, pela Copa da Inglaterra, o estádio estava lotado e muita gente ficou para fora. As cerca de 5 mil pessoas forçaram a entrada, derrubaram o portão e invadiram o estádio, que ficou superlotado. Na confusão, aproximadamente 100 mortos e 200 feridos.
1996 Guatemala e Costa Rica duelariam pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. A capacidade do estádio era de 45 mil pessoas, mas foram vendidos 60 mil ingressos. Na confusão, muita gente ficou prensada contra o alambrado, morreram 84 pessoas e 150 ficaram feridos. O jogo acabou suspenso.
2001 Em Gana, torcedores do Hearts of Oak e Kumasi Kotoko, dois times de maior rivalidade do país, se enfrentaram na arquibancada. Mais de 120 pessoas morreram e outras 90 ficaram feridas após os conflitos.
2007 Ao menos 50 pessoas morreram em um atentado contra torcedores do Iraque, que festejavam uma vitória da seleção local na Copa da Ásia.

* Com agências internacionais

* Atualizada às 21h11

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Editado:

Mais duas pessoas morreram nesta sexta-feira durante um protesto, no Cairo, pela morte de 74 pessoas, na quarta-feira (1), após uma partida de futebol em Port Said. Com isso, o número de mortos em confrontos envolvendo a polícia e manifestantes, hoje, chega a quatro, já que duas pessoas morreram nos confrontos em Suez.

A primeira morte foi confirmada por um médico voluntário que acompanhou os confrontos no Cairo. Segundo a testemunha, que falou à Associated Press na condição de anonimato, o homem morreu após ser atingido por tiros, nas proximidades do ministério do Interior, no centro do Cairo. A vítima chegou a ser levada ao hospital mas não resistiu. Não há informações sobre a outra vítima, apenas que ela também foi ferida a  bala.

Milhares protestaram no Cairo durante o dia, acusando o conselho militar, que tomou o poder depois da queda do ex-presidente Hosni Mubarak um ano atrás, de administrar mal o país em meio a uma frágil transição.

Aproximadamente 1.689 pessoas ficaram feridas nos confrontos que ocorreram na capital, principalmente após inalar gás lacrimogêneo, e em Suez.

Os manifestantes protestavam por conta da violência desatada na quarta-feira entre torcedores do time de Port Said, o Al-Masry, e do Cairo, o Al-Ahly, um dos incidentes mais sangrentos da história do futebol.

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‘Guerra’ entre torcedores de São Paulo e Guarani em Campinas termina com 61 detidos

O jogo aconteceu no Morumbi, na capital paulista, mas torcedores de Guarani e São Paulo proporcionaram na noite desta quinta-feira, em Campinas, cenas de vandalismo que tomaram conta da Avenida Prestes Maia, localizada na cidade do interior paulista.

De acordo com a Polícia Militar, as torcidas das duas equipes entraram em conflito enquanto Guarani e São Paulo jogavam pela quarta rodada do Paulistão. O encontro havia sido previamente marcado pela internet e terminou com 61 pessoas detidas e uma arma de fogo apreendida.

Um torcedor são-paulino deu entrada no pronto-socorro São José com a suspeita de ter sido baleado no braço, mas após avaliação de um médico perito do Instituto Médico Legal (IML) foi constatado que o ferimento foi causado por uma pedra ou uma paulada.

Na briga, segundo a PM, foram usados rojões, pedaços de pau, e quatro disparos foram efetuados por um torcedor bugrino.

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Editado de novo:

Para brasileiro que mora no Egito, confronto entre torcidas foi político

“Este é um conflito inteiramente político.” A afirmação é de Aldo Sauda, brasileiro que mora no Cairo, sobre a briga entre as torcidas do Al Ahly – a maior do Egito – e Al Massry, ocorrida na última quarta-feira (1º), que deixou 74 mortos e centenas de feridos no estádio de Port Said, norte do país.

Sauda estudou Relações Internacionais em São Paulo e, no ano passado, decidiu ir ao Egito para acompanhar de perto as transformações no país. Segundo ele, os torcedores do Al Ahly foram massacrados em plena arena, por estarem na linha de frente da oposição à junta militar que entrou no poder no Egito após a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, ocorrida em fevereiro de 2011.

“Quando os torcedores do Al Ahly souberam do massacre, a reação espontânea das pessoas, que se reuniram na porta do clube, foi chamar pela execução do general Tantawi [chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito]. Ninguém nem mencionava a torcida do Massry”, justificou.

Sobre as acusações de que a polícia está por trás do massacre, o brasileiro conta que o prédio do Ministério do Interior – que controla a polícia –foi cercado por manifestantes. “Inclusive, o muro erguido em novembro pela polícia na Mohamad Mahmoud, rua que fica entre a [praça] Tahrir e o Ministério, foi derrubado.”

“A situação no Cairo está muito tensa, principalmente nas redondezas da praça Tahrir”, continua Sauda. As forças de segurança estão reprimindo os protestos de forma violenta, e a conjuntura é incerta. “Ninguém sabe o que vai acontecer, mas acho que a oposição não tem organização suficiente para derrubar a junta”, analisou.

As manifestações que se seguiram ao massacre no Egito já deixaram quatro mortos e mais de 1.500 feridos.