Kaiser eats the world


In a dream-like scene from Charlie Chaplin’s The Great Dictator, the titular tyrant [1] gently plucks a large globe from its standalone frame, holds it longingly in his arms and dances it across his office to the tones of Wagner’s Lohengrin 

The globe dance is a variation – arguably one too gentle and dream-like [2] – on a popular theme in cartographic propaganda: the evil genius, hell-bent on world domination, shown grabbing, bestriding, slicing a representation of the planet.

That malevolent mastermind is often symbolised by an octopus, an animal whose sinister tentacularity has made it a staple of map cartoons looking to convey foreign menace [3]. The person depicted here was equally recognisable to the audience of the time (the cartoon dates from 1915, the second year of World War I). Should the black, eagle-encrusted helmet not be clue enough, the trademark handlebar moustache, dispelled any doubt: this is Wilhelm II, the Kaiser [4] of Germany.

Wilhelm II is ferociously trying – but failing – to swallow the world whole. The title L’ingordo is Italian, and translates to: ‘The Glutton’. The subtitle is in French: Trop dur means ‘Too hard’. The cartoon, produced by Golia [5], conveys a double message.

It informs the viewer that the current conflict is the result of Wilhelm’s insatiable appetite for war and conquest, but he has bitten off more than he can chew. The image of the Kaiser vainly trying to ingest the world signals both the cause of the Great War, and predicts its outcome – the tyrant shall fail.

No opportunity is missed to portray the Kaiser as an awful monstrosity: the glaring eyes, the sharp teeth, the angrily flaring ends of his upturned moustache [6]. But it must be said that Wilhelm’s portrayal by Allied propaganda as an erratic, war-mongering bully wasn’t entirely unjustified [7]. Upon his accession to the throne in 1888, he personally set Germany on a collision course with other European powers. His impetuous policies were later blamed for reversing the foreign-policy successes of Chancellor Bismarck, whom he dismissed, and ultimately for causing World War I itself.

As Germany’s war effort collapsed in November 1918, Wilhelm abdicated and fled to the Netherlands, which had remained neutral. The Dutch queen Wilhelmina resisted international calls for his extradition and trial. The Kaiser would live out his days in Doorn, not far from Utrecht, spending much of the remaining two decades of his life fuming against the British and the Jews, and hunting and felling trees. He died in 1941, with his host country under Nazi occupation. Contrary to Hitler’s wishes to have him buried in Berlin, Wilhelm was determined not to return to Germany – even in death – unless the monarchy was restored. The gluttonous last Kaiser of Germany, who bit off more than he could chew, is buried at Doorn.

This image found here at Scartists.com. 

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[1] Adenoid Hynkel, a thinly veiled parody of Adolf Hitler. The Great Dictator was Chaplin’s indictment of fascism, exposing its “machine heart” to the corrosive power of parody. Curiously, the theme of mistaken identity between the dictator and the Jewish barber (both played by Chaplin) replicates the parallels between Hitler and Chaplin. Both were born only four days apart in April 1889, and both sported similar toothbrush moustaches.

[2] The Great Dictator was very popular upon its release in October 1940; but Chaplin later stated he would never have made it, had he known the extent of the horrors perpetrated by the Nazi regime.

[3] See #521 for an entire post devoted to cartography’s favourite monster.

[4] The German word for Emperor, like the Russian Czar, derives from the Roman Caesar. It retains its particularly negative connotation from World War I, and hence usually applies to Wilhelm II (less to his only predecessor as Emperor of unified Germany, Wilhelm I; or the Emperors of Austro-Hungary).

[5] Italian for ‘Goliath’; pseudonym of the Italian caricaturist, painter and ceramist Eugenio Colmo [1885-1967].

[6] It’s probably no coincidence that they look like flames. Wilhelm II reputedly employed a court barber whose sole function was to give his trademark moustache a daily trim and wax. After his abdication, he grew a beard and let his moustache droop. Perhaps his barber was a republican after all.

[7] In a 1908 interview with the Daily Telegraph, meant to strengthen Anglo-German friendship, Wilhelm called the English “mad, mad, mad as March hares”. Other outbursts in the same interview managed to alienate also the French, Russian and Japanese public opinions. In Germany, the interview led to calls for his abdication; he subsequently lost much of his real domestic power, but came into focus as the target for foreign ridicule.

(the whole thing has come from here)

Cuidado…tem nazista se fazendo de bonzinho!


Ler esse texto não foi exatamente uma surpresa, já que andam circulando por aí vídeos “super meigos” do Hitler com seus bichinhos de estimação…outros vídeos dizendo que ele era vegetariano e que se preocupava com o meio ambiente…como se isso fizesse alguma diferença no modo daquele ditador dos infernos lidar com seres humanos! Esse tipo de vídeo só mostra que até uma das pessoas mais crueis da História tinha respeito pelos animais…o que coloca as pessoas que os tratam cruelmente muito abaixo até da barbárie totalitária mais atroz!  

Extrema direita da Alemanha apela para ambientalismo para ganhar popularidade

Jornais Internacionais - Der Spiegel

Christian Pfaffinger

Os ambientalistas são geralmente associados à esquerda política. Mas agora neonazistas também descobriram os charmes da natureza. Além de vender hortaliças e legumes orgânicos e publicar uma revista sobre o meio ambiente, o partido ultradireitista alemão NPD (Partido Nacional Democrata da Alemanha) está fazendo uso de tópicos que integram a campanha dos verdes. Membros do partido usam isso como uma maneira duvidosa de fazer com que o NPD se torne mais socialmente aceitável.

Jens Lütke opõe-se à engenharia genética e à ampliação de rodovias. Ele também protesta contra a construção de novas usinas de geração de energia e trabalha como voluntário uma vez por ano durante um dia de ação ambiental. “Muitas vezes me perguntam se eu sou membro do Partido Verde”, diz ele. Mas Lütke não apoia o partido ambientalista, e sim o ultradireitista Partido Nacional Democrata da Alemanha (em alemão, Nationaldemokratische Partei Deutschlands, ou NPD). Ele é o principal candidato do partido ao parlamento estadual nas eleições no Estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, que ocorrerá em maio próximo.

Quando Lütke coleta lixo como voluntário no dia de ação ambiental é difícil determinar a que partido ele pertence. “Nós não portamos faixas do NPD ao participarmos”, explica ele. Lütke não é o único do seu partido a atuar na defesa do meio ambiente. O partido usa frequentemente a questão ambiental como uma tentativa insidiosa de tornar-se mais palatável para a sociedade alemã. Muitas vezes é difícil reconhecer as ideologias extremistas de direita que estão por trás dessas iniciativas.

A tática é visível em uma revista de questões ambientais publicada por extremistas de direita, e cujo título é “Umwelt & Aktiv” (“Meio Ambiente e Ativo”). A publicação parece ser uma revista normal focada no meio ambiente – pelo menos à primeira vista. E, embora os artigos da publicação sobre biocombustíveis, engenharia genética, dicas para jardinagem e músicas infantis pareçam ser legítimos, uma análise mais atenta revela que ela traz também páginas dedicadas a mitos germânicos e ritos pagãos. Em uma matéria com o título “Segurança da Pátria” os leitores da edição de março do ano passado são avisados de que o povo alemão perecerá biológica e espiritualmente caso tiver filhos com indivíduos de outras origens étnicas.

Esta suposta revista ambiental também alimenta o ódio religioso, ao alegar que o abate de animais sem anestesia é um costume bárbaro de judeus e muçulmanos. “Dessa maneira, todos os imigrantes sentir-se-ão em casa”, diz a edição de janeiro de 2007, “e outros costumes baseados em religião, como a mutilação genital, o apedrejamento e a amputação das mãos poderão ser importados para o nosso país”.

Política oficial

Embora a editoria da revista se descreva como sendo “politicamente independente”, esse tipo de propaganda brutal de extrema direita surge frequentemente na publicação. E um exame mais detalhado dos nomes de indivíduos e instituições que produzem a “Umwelt & Aktiv” revela como essa alegação é duvidosa. O expediente da revista inclui a associação Midgard e.V., que, segundo o tribunal municipal da cidade de Landshut, no sul da Alemanha, possui vínculos com o NPD. Também faz parte do expediente o editor Christoph Hofer, que já ocupou dois cargos oficiais no NPD na Baviera. Além disso, há a secretária e editora chefe da revista Berthild Haese, cujo marido, Peter Haese, foi diretor do diretório do NPD na Baixa Baviera e que disputa regularmente eleições como candidato pelo partido, das quais a mais recente foi a eleição parlamentar federal de 2009.

A editoria da revista também é conhecida por comunicar-se internamente utilizando endereços eletrônicos do NPD, segundo documentos publicados pelo website antinazista Nazi-Leaks. Entre os colunistas da publicação estão apoiadores e membros do partido, e a revisa traz propagandas que são utilizadas para vender livros da editora do NPD, a Deutsche Stimme (“Voz Alemã”), com títulos como “Raça, Evolução e Comportamento”. Além disso, certas passagens da primeira edição, de 2007, são cópias quase que literais das próprias plataformas do NPD. Um trecho diz: “As paisagens ambientais alemãs são cenários culturais. Portanto, a proteção ambiental não pode ser abordada separadamente do desenvolvimento cultural”. Essa é a primeira linha do documento que traz a política ambiental do NPD.

Direitistas amantes da natureza

A Baviera, onde fica a redação da “Umwelt & Aktiv”, é o foco central da iniciativa ambiental da extrema direita, mas outros Estados também contam com “nazistas verdes”. O NPD é especialmente ativo quanto às questões ambientais no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Já em 2007, um fazendeiro e membro do NPD atraiu a atenção da imprensa com uma campanha contra a engenharia genética. E Udo Pastörs, um membro do parlamento estadual e vice-líder do partido nacional, é conhecido pelas suas iniciativas conservacionistas.

Mesmo fora do partido existem ambientalistas extremistas de direita no Estado do norte, perto de Güstrow e Teterow. Desde a década de noventa, agricultores seguem a tradição da Liga Artaman, um movimento agrário surgido na década de vinte que professa uma ideologia do tipo “sangue e solo” e que possuía fortes vínculos com o partido nazista. Esses indivíduos têm se espalhado por outras áreas, segundo um especialista da organização do Estado que faz críticas ao NPD, o Arbeitsgemeinschaft Völkische Siedler (“Grupo de Trabalho para Colonos Raciais”). A maioria deles exerce um papel ativo na vida das comunidades, envolvendo-se com escolas e instalações para cuidados infantis, segundo o especialista, que pediu que o seu nome não fosse divulgado neste artigo. E muitos deles produzem e vendem produtos orgânicos.

Um tópico de campanha

Há muito tempo o NPD adotou questões ambientais na sua tentativa de obter apoio eleitoral. O partido já recorria a essa tática no seu “Programa de Düsseldorf”, de 1973, que descrevia a proteção ambiental como sendo um fator de contribuição para a saúde pública. Mas foi apenas com a profissionalização do partido nos últimos anos que essa questão foi lançada na linha de frente.

Na sua atual plataforma partidária, o NPD rejeita tanto a engenharia genética quanto a pecuária em escala industrial, além de defender maiores gastos governamentais com fontes de energia alternativa e autossuficiência nacional em produtos agrícolas. O NPD também afirma que os agricultores precisam de mais apoio.

No Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o NPD também imprimiu pôsteres com a inscrição “Umweltschutz = Heimatschutz” (“Proteção Ambiental = Proteção da Pátria”). E Jens Lütke também pretende utilizar os temas ambientais como um dos seus principais tópicos de campanha como candidato do NPD ao parlamento estadual de Schleswig-Holstein, ainda que a sua principal crítica seja ao euro. “Nós não queremos deixar os tópicos verdes a cargo do Partido Verde”, explica ele.

A “Umwelt & Aktiv” resume a sua abordagem na última página da sua primeira edição, publicada no início de 2007. “A proteção ambiental não é verde”, diz o artigo.

Tradutor: Do UOL