Protestos marcam início dos julgamentos de estudantes e funcionários presos


Estudantes e funcionários responderão administrativa e criminalmente por ocupações no campus. Concentração dos manifestantes começa a partir das 9h, em frente à reitoria 

15/05/2012

Da Redação


Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) realizam um ato nesta quarta-feira (16) em frente ao prédio onde uma comissão, escolhida pelo reitor João Grandino Rodas, dará início aos julgamentos de estudantes e funcionários presos durante a reintegração de posse da reitoria e do espaço conhecido como Moradia Retomada.

A concentração dos manifestantes começa a partir das 9h, em frente à reitoria. De lá, eles caminham até a Avenida Vital Brasil onde depõem os estudantes Rodrigo Marzano, Vânia de Oliveira, Fernando Bustamante, Rafael Alves e Tauan. No total, 54 pessoas – entre estudantes e funcionários – estão sendo processados e correm sérios riscos de eliminação, o que significa a impossibilidade vitalícia de manter novos vínculos empregatícios e estudantis com a USP. Os depoimentos ocorrem até o dia 16 de junho.

Foto: Reprodução

Os manifestantes presos responderão administrativa e criminalmente pelas ocupações. No movimento estudantil são reconhecidos por reivindicarem mais moradia estudantil, o fim dos processos judiciais àqueles que se opõem à política da reitoria e o encerramento do convênio da USP com a Polícia Militar do estado de São Paulo.

Até a tarde desta quinta-feira (15), mais de 500 pessoas confirmaram presença na página do ato no Facebook. “A expectativa é que seja um ato de denúncia da inquisição que o reitor João Grandino Rodas está fazendo, instaurando processos administrativos em que a reitoria acusa, julga e pune com ameaça de demissão e eliminação”, afirma a diretora do Sintusp e uma dos 73 presos por causa da ocupação da reitoria, Diana Assunção.

Professores, trabalhadores, estudantes da USP e das Universidades-irmãs Unesp e Unicamp, além de artistas, intelectuais, jornalistas e testemunhas também participarão do ato. Uma comissão de advogados voluntários, ligados a movimentos sociais, irá acompanhar os processados.

As acusações administrativas são baseadas no Regimento Disciplinar da USP, datado de 1972 (Decreto Estadual n. 52906-72), que prevê como infrações “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares”.

“Brunch da Gente Diferenciada”

Nesta terça-feira (15), alunos dos cursos de Ciências Sociais e Filosofia organizam o evento “Brunch da Gente Diferenciada” para satirizar a reunião do reitor João Gradino Rodas com integrantes do grupo Reação. O encontro ocorre a partir das 18h no espaço do Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais. Estudantes preparam ainda a venda de coxinhas.

Foto: Reação

No último dia 3, poucos dias antes do início do julgamento dos estudantes presos, Rodas recebeu o grupo Reação para um café na reitoria. Fotos foram tiradas do encontro e provocaram polêmica entre os alunos.

A Reação conquistou o segundo lugar na última eleição para o DCE (Diretório Central dos Estudantes), ocorrida em abril deste ano, e é composta por estudantes ligados à juventude do PP e do PSDB e por alunos de direita, que apóiam a parceria da USP com o setor privado e a permanência da polícia no campus. O grupo é conhecido também por não comparecer às assembleias estudantis, fórum máximo de discussão e deliberação do corpo discente.

Em seu blog, o estudante de Filosofia e integrante do Reação, Marcos Vidigal, disse que o encontro inaugurou uma nova forma de diálogo entre a direção da Universidade e os estudantes. “O reitor acolheu o grupo com grande atenção e informou que receberá os representantes dos estudantes de forma regular e procurará dentro do possível atender as solicitações encaminhadas”, afirma.

“Esse encontro representa uma falta de respeito da Reação com a comunidade universitária. Quando tem assembleia, eles não são representativos dos estudantes. Muitos deles mostram uma postura favorável à intervenção militar na universidade, e também são a favor das opiniões de Rodas a respeito do que aconteceu na ditadura. Para muitos deles, o que aconteceu na ditadura foi ditabranda”, destaca o estudante João Silva*, integrante do Comitê Unificado contra a Repressão.

A reportagem tentou contato com dois integrantes da Reação, mas não teve o retorno até o fechamento desta matéria.

*João Silva é codinome de um dos 85 estudantes processados, que preferiu não se identificar por temer mais represálias durante o julgamento.

fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/9570

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