Lidando com a perda


Não sei lidar com perdas (por isso tento evitá-las a todo custo, inclusive o de não-viver). Nem profissionais, nem de dinheiro, nem de bichinhos de estimação (como gatos!), muito menos de gente. Talvez por isso mesmo fico sempre observando como os outros lidam com ela, para saber se existe alguma técnica que me faça sentir menos impacto na perda, ou superá-la mais rapidamente, ou de maneira mais eficaz. Até agora, niente.

Tem gente que supera as perdas se distraindo – já tentei. Enquanto você está lá se distraindo (ex: vai a uma festa familiar, brinca com as crianças, etc.), beleza. Mas basta voltar pro seu mundinho e pronto…lá está ela, a maledetta! Tem gente que se afoga em leituras, filmes e no trabalho em geral – mas comigo essa técnica tampouco funciona…pelo contrário, fico imprestável. Meu trabalho não rende nada, tenho concentração zero…tanto para trabalho, quanto para leitura, quanto para filmes, enfim…não dá, sempre me pego devaneando sobre a perda novamente. Admiro quem consiga! (eu pessoalmente me distraio escrevendo aqui no blog *rs*)

Outras pessoas preferem fingir que a perda não aconteceu – afinal, você vivia antes mesmo de ter começado o que quer que tenha perdido, certo?? Você não tinha aquele emprego, não tinha aquele bichinho de estimação, não conhecia aquela pessoa, não tinha tido o seu filho que morreu num acidente, enfim…você independia completamente daquilo ou daquela pessoa, então agora não há muito o que lamentar, não aconteceu nada demais, nada que não tivesse acontecido antes…. (nem preciso dizer que comigo essa técnica é absolutamente risível!)

Aí tem aquelas que gritam, choram, enfim, chafurdam na perda até não poder mais, que aí ela passa mais rápido. Nah, nada feito. Já fiz isso também, e a dor da perda apenas se intensifica e quero morrer, sobretudo quando lembro detalhes – que quando estava fingindo que nada havia acontecido, ou quando estava tentando me distrair – que antes havia meio que apagado. Isso acontece geralmente quando tento me distrair ouvindo músicas….xiii, receita para o desastre…

Que mais? Aaaah…tem aqueles que, ao invés de enfrentarem a dor, ao invés de encararem de frente, preferem tentar esquecer a pessoa perdida utilizando uma outra pessoa como muleta física e/ou mental. Muito “ixxxpérrrrtuxxxx” esses, né? Adoro gente que faz isso…sobretudo quando não reconhece que faz!!! Lógico que mais cedo ou mais tarde o resultado é bem esperado: a “muleta” se estrepa. Bastou erguer o p*u ego do fulano que perdeu a fulana dele, agora ele está pronto pra outra…que não seja a muleta, dããã, claro, quem precisa de muleta quando está bem?!? Pior é que ele nem te vê como outra coisa que não muleta…pena. Foi outro que não te deu chance alguma.

Tem ainda quem rasgue fotos, cartas, apague emails, comentários em blogs (engraçado é quando o blog inteiro teria que ser apagado, já que foi feito com amor, carinho e dedicação pela pessoa indesejada *rs*), remova pessoas da lista de contatos – enfim, tente se livrar de tudo o que lembra aquela situação ou pessoa que perdeu. Essa eu já tentei também, em vão…uma amiga minha me obrigou a rasgar a foto do meu ex, dizendo que isso iria me fazer sentir melhor. Lógico que não fez! Ingenuidade *rs* E mais, se for para remover tudo o que lembra alguém importante para mim…terei que me livrar do meu guarda-roupa inteiro, dos meus anéis, pulseiras, livros, bichinhos de pelúcia, tudo, tudo!!!!

Mas tudo bem, supondo que fosse factível. Supondo que eu apagasse todos os emails, chamadas de celular registradas, SMS enviados, e comentários em blog trocados com ele durante mais de um ano, doasse todas as roupas com as quais fui me encontrar com ele, rasgasse as fotos (nesse caso nem seria tão difícil assim, existem apenas 5 ;)) e jogasse fora a Beatriz, minha coelhinha de pelúcia recentemente comprada por ele num dia feliz (assim achava eu…para ele pelo jeito não foi nada) de verão. E daí?? Daí nada. Daí que eu continuaria me lembrando de cor o número de telefone dele, o email dele, o sorriso dele, o rosto dele, a voz, os dias que a gente saiu, as bobagens que falamos, as músicas do Youtube, as palavras doces e as ásperas…e os meus sonhos…é, eu sonhei. Sonhei alto (adoro fantasia, se bobear, muito mais do que você!). Sou tonta. Fui uma anta, e você me machucou demais, muito mais do que imagina, e disso tudo não vou me esquecer nem que todos os meios materiais – virtuais e reais – venham a se acabar.

Não tem como…só rasgando meu cérebro e meu coração. E jogando na lata do lixo parte da minha história, do meu passado, minhas horas de vida vividas ao lado dele – e mesmo sem ele fisicamente presente.

Alguém aí tem método mais eficaz que esse para superar a perda? Se tiver, me avise. Enquanto isso…

PS – Ah, esqueci de um método crucial, bastante empregado por mim: a raiva. Essa aí é a que chega mais perto de ser eficaz. Você tenta se concentrar em tudo de ruim que aconteceu, em tudo que deixou de possivelmente acontecer por causa do orelhudo destino *rs*, em todas as características negativas observadas – e nas outras tantas que você deixou de observar porque estava cega e retardada amando, mas que eventualmente iam acabar vindo à tona, não se engane!!!! -, em todas as horas que você perdeu porque estava devaneando – ou estava de fato – com o dito-cujo, ou então nas horas de estudo perdidas, em tudo de ruim que foi dito (e que na hora você teve que se controlar, mas agora foda-se o que vão pensar), enfim…tem várias coisas bem legais que dá para pensar, focalizando só no “lado negro da força”, entendeu?? Ficar pensando nas coisas boas não leva a lugar algum nessa hora – too late, Marlene!

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2 pensamentos sobre “Lidando com a perda

  1. Clara disse:

    tequila, sexo, ressaca literaria, uma viagem ou uma noite com amigas loucas e divertidas que te façam rir da historia.

  2. Janus disse:

    estou isolada das amigas atualmente por motivos de força maior.

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