Civilizar pela música: a inquisição da elite intelectual


[OPS, quem diria, você também é preconceituoso!!! A questão, obviamente, é mais complexa que isso, e não devemos defender a indústria cultural com unhas e dentes, nem de longe…

Any attempt to free films of their ‘bad taste’ will only weaken them: because ‘the bad taste of the masses is more deeply rooted in reality than the good taste of the intellectuals’ (165). Public taste will be improved, not through better films but only through a change in social relations.

According to Bertold Brecht, intellectuals are fighting in the dark as long as they are restricted to criticizing symptoms in a purely conceptual world. This is not only ignorance but arrogance:

The struggle of progressive intellectuals against the influence of com­mercial interests is based on the proposition that the masses don’t know their own interests as well as the intellectuals do. But the masses have interests which are political rather than aesthetic; at no time was Schiller’s proposal that political education should be made a matter of aesthetics so obviously pointless as today (165).]

“Essa gente precisa é de Chico Buarque.”

Sinceramente acho que todo mundo precisa escutar o homem. Mas a frase, vinda da boca de um culto amigo, irritado com um carro que jorrava tecnobrega no último, gerou aquele arrepio na espinha.

(…)

Sua crítica não se relacionava ao tratoramento da arte pela estrutura capitalista de reprodução e distribuição de cultura, que a transforma em mercadoria a ser consumida passivamente. Pois, ele próprio é um desses consumidores, que bebe empacotados dito eruditos, vilamadalenizados, mas que tenta “curar” o outro.

(…)

Poderíamos discutir horas a fio sobre os mecanismos da indústria cultural que levam a um produto de massa se sobrepor e esmagar manifestações tradicionais e as consequências disso. Contudo, a preservação do patrimônio cultural tradicional não se resolve forçando o povão a consumir um baião tradicional a um tecnobrega, um grupo de cateretê a uma dupla sertaneja, um samba de raiz a um funk proibidão.

Na opinião destes, há uma autoproclamada “cultura de qualidade”. A clivagem entre o popular e o erudito (e a ignorância de fundir o erudito com o bom) é apenas parte dessa discussão. Esse tipo de pensamento, com a reafirmação de símbolos para separar “nós” da plebe, expressa mais preconceito de classe do que qualquer outra coisa. E, em um ímpeto quase jesuítico, a necessidade de catequisar vem à tona, para trazê-lo à nossa fé. Não que eles poderão entender tudo, mas poderão, pelo menos, deixar o estado de barbárie em que se encontram ao respirar o mesmo ar que nós.

(…)

Ampliar o leque, dando mais possibilidades de escolha para a sociedade é uma coisa. Guiar o consumo cultural para preservar uma imagem que uma elite intelectual dos grandes centros tem de como deveria ser a cultura brasileira é outra.

Civilizar pela música: a inquisição da elite intelectual – Cotidiano – Notícias.

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