Em busca de uma Europa unida


(…) Se Bruxelas perder a confiança dos cidadãos, a Comissão, o Parlamento e o Conselho Europeus estariam operando sem base na legitimidade. A ideia de paz, liberdade e prosperidade ficaria enfraquecida.

A política europeia já está sendo moldada acima das cabeças dos cidadãos, em reuniões a portas fechadas entre a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy, e executadas no centro de processamento de dados do Feef e não pela Comissão Europeia, o órgão executivo da UE. E os cidadãos já estão indignados com políticos europeus que parecem incapazes de salvar as economias nacionais da voragem da crise financeira. Alguns desses cidadãos indignados já montaram suas tendas em frente ao edifício do Conselho Europeu em Bruxelas. Enquanto isso, os líderes do projeto do século, o projeto da unificação europeia, sentem a necessidade de se proteger dos seus cidadãos com arame farpado e barricadas.

“Os cordões da legitimidade das decisões políticas” na Europa são puxados “com tensão suficiente para se romper, e as coisas estão rangendo e se esfacelando por toda parte”, diz o parlamentar europeu Lambsdorff.

Muitos políticos e especialistas sustentam opiniões semelhantes. O filósofo alemão e europeu confesso Jürgen Habermas adverte sobre uma “cassação dos direitos de cidadãos europeus”.

(…)

Toda a Europa está atolada numa crise. A credibilidade democrática do projeto europeu ficou intacto enquanto ele foi bem-sucedido, e enquanto cidadãos podiam se maravilhar com – ou, como os espanhóis, beneficiar-se de – o valor agregado das decisões que estavam sendo tomadas por cima de suas cabeças. “Federalize suas carteiras de dinheiro e seus corações e mentes acompanharão”, disse James Madison, o pai da Constituição americana.

Essas palavras também se aplicam ao Velho Mundo. Os estudiosos da democracia do século 21 chamam isso de “legitimação pelos resultados”. Era fácil alcançar a legitimidade por meio da ação enquanto as coisas estavam melhorando. Agora, porém, na crise, as adversidades prevalecem. “Os controles criados para integração, solidariedade e democracia pela classe dirigente política só eram respaldados pela legitimação pelos resultados”, diz Hauke Brunkhorst, um professor de sociologia na cidade alemã setentrional de Flensburg. A falta desse respaldo, acrescenta, significa que esses controles “invariavelmente saltarão com um grande estouro”.

Se quiser evitar semelhante estouro – e se espera ser sustentável -, a classe política precisa fazer uso das ferramentas clássicas da democracia, que acadêmicos como Brunkhort chamam de “input legitimacy” (legitimação pelos procedimentos). Os procedimentos devem vir dos cidadãos, de baixo para cima, por eleições e discussões. As constituições espanhola e alemã veem essa atividade como a razão da existência dos partidos políticos. A coisa mais urgente, diz Solana, é criar uma “esfera pública europeia”. A classe política precisa fazer um esforço para conquistar os cidadãos, porque ela não pode mais estragá-los em termos materiais. Isso é “legitimidade mediante a ação”. Os cidadãos, diz Solana, precisam “vir conosco”. Para assegurar que eles aceitem o grande salto para frente, os líderes políticos precisam convencer suas nações. Segundo Solana, os que não conseguirem, sairão de cena. “Se não formos inteligentes para completar esta integração, haverá uma relação econômica privilegiada entre os Estados Unidos e a China, e nós ficaremos de fora”, adverte.

(…)

Os governos logo “serão incapazes de explicar a qualquer um em seus países por que ‘nós’ simplesmente não devemos permitir que o euro fracasse”. Enquanto a Europa estiver sendo governada “pelos alemães”, “pelos franceses” ou “pelos espanhóis”, diz Brunkhorst, nenhum cidadão compreenderá “que nós, se quisermos seguir no mundo globalizado, deixamos de ser os alemães, austríacos, franceses ou holandeses há muito tempo, mas de fato somos os cidadãos da Europa”.

via Em busca de uma Europa unida : Versão Impressa – Economia – Estadao.com.br.

(grifos meus – só copiei trechos do artigo, mas ele pode ser lido na íntegra no link acima)

Lógico, a “democracia” sempre sendo usada como arma de manipulação!!! Engraçado que eles falam em democracia, em “de baixo para cima”, e em seguida se contradizem, dizendo que “a classe política precisa conquistar” os cidadãos! (ou seja, de cima pra baixo, como sempre😉 *rs*)

Nem se tem mais vergonha de admitir que “ela [a classe política mundial] não pode mais estragá-los [os povos de todos os países] em termos materiais”!!!!!!!!!!!!!!!

E, no entanto, continuam utilizando eufemismos como “o grande salto para frente” (!!!!!) ou “o progresso”…o tal grande salto para frente nada mais é do que um monte de retrocesso: cassação dos JÁ POUCOS direitos políticos e econômicos conquistados arduamente até aqui…significa cortes nas verbas de ensino público, saúde pública, transporte público, aposentadorias, seguro-desemprego e por aí vai. Significa abrir mão de férias (descanso? REMUNERADO?!? PRA QUÊ????? QUE ABSURDO!!!), trabalhar mais horas por muito menos salário – aliás, para eles seria *ótimo* se o sistema escravocrata voltasse…opa, peraí…trabalho em troca de comida e alojamento…uhmm, acho que sempre estivemos num sistema escravocrata, não?!? Ou pior ainda, já que nem isso tem pra todo mundo…! Boa sorte em tentar convencer os cidadãos pensantes😉 Quem disse que queremos “seguir no mundo globalizado”?!? OCCUPY!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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